fevereiro 27, 2005

Declaração àpatrida

Este blog contém várias vertentes. A mais notória será a do devaneio intelectual pelas questões ligadas ao auto conhecimento através dos ramos da Psicologia e da Astrologia. Não me questiono se as pessoas acreditam ou não, “nisso”. Tenho evidências mais que suficientes para saber que se trata de uma boa ferramenta de caracterização, cada vez mais desenvolta á medida que mais investigação existe á volta deste conhecimento. O interesse é a difusão da astrologia como uma ferramenta de auto conhecimento tentando estabelecer uma ponte com a Psicologia. O casamento destas duas áreas é algo ainda problemático dentro das instituições académicas, no entanto há muito que a astrologia se beneficia dos conhecimentos adquiridos pelos psi’s, no entanto o contrário parece não ser tão verdadeiro. Carl Jung, discípulo de Freud, foi o grande pioneiro da onda “East meets West”, que junta o conhecimento ocidental a práticas esotéricas. Esperamos que uma fusão possa resultar numa nova síntese que faça “saltar” a humanidade. Digo saltar, parafraseando o Prof. Guimarães Lopes, porque quando saltamos elevamo-nos e parece ser esse o nosso desígnio de vida, elevarmo-nos. Como projecto existencialista, pretende acabar com a vida, não no sentido lato, mas no de vida sobrevivida, de sobreviver, dessa forma tornando possível o existir, que é liberdade para se aperfeiçoar. Viver é diferente de existir. Existir é liberdade para se ser, ainda que na angústia de ter que se ir criando diariamente, ir vivendo é apodrecimento.

Todos os meses será abordado o signo correspondente, abordagem cujo fim é sempre o mesmo: difundir formas de aumentar o auto conhecimento, resgatando o poder pessoal e potenciando as capacidades de cada ser individual. Cumprir “a vocação” não no sentido profissional do termo, mas no sentido de “fazer o que se tem que fazer” razão de ser da casa 10, a mais elevada do Zodíaco, análise possível quando se faz também o mergulho nas “Raízes” da casa 4. Nós nunca somos aquilo que somos, somos projecto inacabado apenas concluído quando morremos, até lá, estamos a ser, não somos. Existamos, pois.

Serão abordados temas que oportunamente corroborem algo que diga respeito á simbologia astrológica desse mês ou de aspectos que estejam em curso no momento. Especial atenção será dada á relação, ao Outro nas nossas vidas, à casa 7. É onde se encontra o meu Sol, é uma dívida que tenho que lhe pagar. A Relação parece ser a área que mais sofrimento psicológico traz ao ser humano, mais até que a doença, daí a importância que lhe darei. Procurar-se-á desmistificar o conhecimento e a prática astrológica, procurando credibilizar a atitude de busca de si mesmo através de outros meios que não os comuns ou institucionalizados.

Que reacção esperar á astrologia? O astrólogo é a versão moderna da ida à bruxa. Antigamente sempre que um problema teimava em se repetir ou não desaparecer, era a bruxa que tinha o milagroso purgante que tudo deitava fora. O olhar interior era e na maior parte dos casos ainda é, totalmente descabido. A solução está sempre fora de nós. As desgraças caiem do céu, não somos nós que consciente ou inconscientemente as procuramos. A prática moderna acentua esta nota, deixando o cliente dependente. A astrologia é um negócio de criação de dependências em que o poder está na mão do astrólogo. Esta relação de forças encontra-se noutras áreas de ajuda, desde a medicina á psicologia. É o Deus dólar que tudo comanda em nome do poder e da ambição pessoal. É nossa utopia por fim a este tipo de relação. O cliente não deverá ver o seu poder usurpado seja em que nome de suposta ajuda for. Este é um blog utópico, a começar pelo próprio nome.

A difusão de algumas fotos minhas não serve de modo nenhum o propósito original atrás mencionado, são enfeites que partilho por esta via, pelo que os projectos fotográficos passarão por aqui apenas como actores secundários. Se a arte pode servir o propósito do desenvolvimento pessoal, não é aqui esse o objectivo. Mera partilha, “seulement pour le plaisir des yeux”, como dizem os marroquinos, espertos!