Onde estamos nós?
Este é o primeiro texto sério… a sério, contém pressupostos que deverão estar presentes para a maior compreensão dos textos seguintes. Uma interpretação astrológica não é alheia ao espírito do lugar e do tempo em que é feita. As crenças, a assinatura cultural do tempo em que nascemos é determinante para se conhecer um carácter. Um brasileiro é diferente de um português, que por sua vez é diferente de um americano. Nascer negro em África é diferente de nascer negro em Portugal. Ser mulher há duzentos anos em Portugal seria um pouco diferente de o ser neste momento. Actualmente ser mulher em Lisboa, pode ser diferente de o ser em Beja. Estamos a generalizar um pouco, embora o projecto astrológico seja sempre individual. Importa contextualizar o local e a circunstância em que nos encontramos. Breves linhas são mais descaracterizadoras do que esclarecedoras, mas arriscamos o laconismo. Somos um país em vias de desenvolvimento, baixo nível escolar associado a baixo nível de literacia mesmo entre a população escolarizada, baixo nível de rendimento, prioritariamente gasto em manutenção e não em desenvolvimento, a meio caminho entre a civilização e a sombra de meia década de fascismo, empobrecidos cultural e espiritualmente, com elites e classe média de pequena e fraca expressão. Somos um povo sem noção clara de autonomia pessoal, hierarquizado, de acordo com o tom totalitário do passado recente. Porquê uma diferença tão marcada para outras culturas? “Que povinho retardado, que povinho mais atrasado”, canta Tom Zé, acerca do seu povo brasileiro. Não faço minhas as palavras sobre os portugueses, a generalização é insidiosa, no entanto esta breve e caricata imagem, apenas ilustra o que se diz a seguir. É uma teoria sem dúvida, como tantas outras tenta ilustrar o mundo, neste caso os homens e a sua evolução espiritual. Não se pretende totalitária, sim aberta.
Em termos de maturação individual, reformulo aqui o conhecimento transmitido por Jeff Green nos dois tomos do livro The Evolutionary Journey of the Soul. Segundo a hipótese que propõe do princípio natural da evolução, todos evoluímos de formas que são completamente únicas para cada um de nós. Para cada um há um destino e não há duas histórias iguais no que ao individual diz respeito. Até por esse facto, aquilo que conhecemos por “destino” ou “sorte” devia deixar de ser um mero acaso para passar a ser uma história profundamente enredada nos destinos e sortes de todos os outros. De acordo com esse principio existem vários tipos de estados evolucionários do indivíduo, e cada um desses estados condiciona a consciência com que o indivíduo se vê a si mesmo e aos outros. Nenhum destes estados tem “portão”, podendo o indivíduo alternar entre um e outro sobretudo quando está em “passagem” de um inferior para um superior. A evolução de estado para estado pode processar-se continuamente ou por “saltos” ou cataclismos. Quando o indivíduo se recusa a enfrentar os desafios que lhe são propostos e constrói defesas ou “resiste” demasiado, a vida acaba por lhe trazer desafios cada vez maiores que o farão “aprender” pela negativa (mortes, traições, abandonos, violências, desilusões, perdas materiais etc.) até que finalmente aquela lição seja aprendida e possa passar a um novo estado evolutivo.
Vejamos os vários tipos de estados evolucionários propostos. O estado de “consenso”. O indivíduo é definido pelas normas, costumes, tabus, religiões, leis, moralidade e consenso. Fazes isto mas não fazes aquilo. Dentro deste estado há a considerar 3 fases: 1) consciência rudimentar, tipo abelha em colmeia, faço mas não sei que faço nem porquê 2) o indivíduo “educado “ conforme as normas ditadas pelo sucesso em sociedade, sabe que faz, mas não sabe porquê 3) o líder do rebanho, manda fazer, mas não sabe porquê, geralmente o político, o professor, o pai, o ditador, o sacerdote, etc., a figura que de alguma forma proclama “manda quem pode, obedece quem deve”. Alberga a maior parte dos indivíduos.
O estado individualizado tem também várias fases: 1) o indivíduo já questiona, distanciando-se do consenso e da sociedade, mas não de si, tem uma consciência objectiva do exterior mas não do interior, o tipo alienado cultural, não cabendo nas normas regentes, isolado emocional ou psicologicamente, mas com um vago sentido de liberdade para vir a ser o que deseja. Tem que “compensar” a insegurança de ser diferente, adoptando ares de “normal”, gerando uma “mentira viva”, não vive de acordo com aquilo que é 2) aqui há uma “raiva” contra o sistema, pessimismo, algum distanciamento até já de si próprio. Provavelmente o mais difícil de todos os estados evolucionários, porque obriga o indivíduo a aprender a integrar a sua individualidade no consenso social, “obrigando-a” desta forma a avançar. O medo é a característica principal, medo de perder a sua individualidade na fusão ou absorção pela sociedade...o indivíduo deve perceber que esse é um medo irracional e procurar destacar-se do ego, ele é um canal de expressão evolutiva num corpo humano, não é o “sol na terra”, contudo não deixa de ser uma indivíduo singular 3) Aqueles que quebram o chão debaixo dos pés dos outros, seguros de si próprios, sabendo que esperam violenta oposição pois ter-se-ão que debater com o “consenso”. Através desta forma integram-se com sucesso individualmente na sociedade. O indivíduo já não está preso as “belas obras que produziu”, mas sabe que as fez para atingir um desígnio mais elevado, entregando o seu “contributo” à sociedade, sem procurar para si vaidade, orgulho ou arrogância. Há alguns pontos de contacto entre esta fase final deste estádio e as fases iniciais do estado seguinte. O indivíduo começa a mexer-se livremente em direcção ao estádio seguinte e a sua aceleração evolutiva começa a fazer-se sentir. Os acontecimentos deixam de ser vistos como desligados uns dos outros e as peças do “puzzle” começam a encaixar umas nas outras. Alberga uma pequena porção de indivíduos.
O estado espiritual, que neste contexto significa aberto a todos os ensinamentos, pois sabe que todos os caminhos vão dar ao mesmo sitio. O conhecimento superior e a consciência de que a unidade com algo superior é inevitável. A consciência destes indivíduos é definida pela disciplina filosófica e espiritual que abraçam, usualmente ligada ao universal e ao transcendente que está para além do tempo e do espaço (o conceito de tempo é uma invenção puramente mental). O centro de gravidade da consciência passa do ego para o espirito ou alma, no entanto experienciam ambos os estados e sabem que emanam todos da Fonte de Todas as Coisas (há também quem chame Deus...) Também aqui há várias fases: 1) humildade, o ego é um grão de areia numa praia porque sabe que há “algo maior”, buscam activamente mestres espirituais que os ajudem a definir a realidade interior e exterior. Muitos desejam partilhar o seu serviço para os outros, ao serviço de uma causa maior, com plena consciência (não confundir com aqueles que por causa da “causa maior”, causam as maiores causalidades a si mesmos) de que irão beneficiar outros com os seus conhecimentos. Vêem o indivíduo como um todo e que faz parte do todo. 2) Fase perigosa para o ego, a vaidade, o indivíduo sente-se um “iluminado”, um mestre espiritual ou guru ou curador, porque acha que detém a verdade, os verdadeiros falsos profetas. Aqui o ego deverá ser destruído e o indivíduo deverá deixar de se identificar com ele. A sua estrutura (do ego) não mais é necessária para proteger o indivíduo do que quer que seja. O indivíduo nada teme e está a preparar-se para a fase final 3) as verdadeiras almas que chegam a Deus em vida (Dalai Lama, Madre Teresa, João Paulo II...) e outros que apenas apontam o caminho para Deus, mas não para si próprios... O estado onde todos chegaremos um dia “se Deus quiser”. Uma porção muito pequena dos indivíduos vive neste estado.
O estado pouco diferenciado ou ainda pouco desenvolvido. Aqueles indivíduos que por circunstâncias várias chegam a esta vida com reduzida capacidade de consciência. Também aqui há vários grupos 1) indivíduos portadores de deficiências várias sobretudo ao nível mental ou outros tipos de doença que limitem a consciência. O seu propósito nesta vida é o de progressivamente se tornarem mais atentos a si mesmos, com o propósito de poderem vir a integrar o estado de consenso 2) neste grupo estarão os indivíduos que terão consciência das suas limitações e que por esse motivo levantarão fúria ou raiva para consigo próprios ou outros. Uma porção muito pequena dos indivíduos vive neste estado.
Dois indivíduos portadores de mapa astrológico muito semelhante poderão estar em estádios de evolução completamente diferentes. Esta diferenciação serve-nos também o propósito com que iremos abordar a temática astrológica. Falaremos de molde a poder passar a noção de que indivíduos em situações semelhantes, podem estar em estados de maturidade diferentes, conduzindo a respostas muito diversas. Este assunto dos diferentes estados de maturidade é muito interessante, tentarei sempre que possível reflectir um pouco mais sobre ele, há muitas dificuldades inerentes, há muitos obstáculos á passagem para estados diferentes, tudo isso merece um artigo.
Em termos de maturação individual, reformulo aqui o conhecimento transmitido por Jeff Green nos dois tomos do livro The Evolutionary Journey of the Soul. Segundo a hipótese que propõe do princípio natural da evolução, todos evoluímos de formas que são completamente únicas para cada um de nós. Para cada um há um destino e não há duas histórias iguais no que ao individual diz respeito. Até por esse facto, aquilo que conhecemos por “destino” ou “sorte” devia deixar de ser um mero acaso para passar a ser uma história profundamente enredada nos destinos e sortes de todos os outros. De acordo com esse principio existem vários tipos de estados evolucionários do indivíduo, e cada um desses estados condiciona a consciência com que o indivíduo se vê a si mesmo e aos outros. Nenhum destes estados tem “portão”, podendo o indivíduo alternar entre um e outro sobretudo quando está em “passagem” de um inferior para um superior. A evolução de estado para estado pode processar-se continuamente ou por “saltos” ou cataclismos. Quando o indivíduo se recusa a enfrentar os desafios que lhe são propostos e constrói defesas ou “resiste” demasiado, a vida acaba por lhe trazer desafios cada vez maiores que o farão “aprender” pela negativa (mortes, traições, abandonos, violências, desilusões, perdas materiais etc.) até que finalmente aquela lição seja aprendida e possa passar a um novo estado evolutivo.
Vejamos os vários tipos de estados evolucionários propostos. O estado de “consenso”. O indivíduo é definido pelas normas, costumes, tabus, religiões, leis, moralidade e consenso. Fazes isto mas não fazes aquilo. Dentro deste estado há a considerar 3 fases: 1) consciência rudimentar, tipo abelha em colmeia, faço mas não sei que faço nem porquê 2) o indivíduo “educado “ conforme as normas ditadas pelo sucesso em sociedade, sabe que faz, mas não sabe porquê 3) o líder do rebanho, manda fazer, mas não sabe porquê, geralmente o político, o professor, o pai, o ditador, o sacerdote, etc., a figura que de alguma forma proclama “manda quem pode, obedece quem deve”. Alberga a maior parte dos indivíduos.
O estado individualizado tem também várias fases: 1) o indivíduo já questiona, distanciando-se do consenso e da sociedade, mas não de si, tem uma consciência objectiva do exterior mas não do interior, o tipo alienado cultural, não cabendo nas normas regentes, isolado emocional ou psicologicamente, mas com um vago sentido de liberdade para vir a ser o que deseja. Tem que “compensar” a insegurança de ser diferente, adoptando ares de “normal”, gerando uma “mentira viva”, não vive de acordo com aquilo que é 2) aqui há uma “raiva” contra o sistema, pessimismo, algum distanciamento até já de si próprio. Provavelmente o mais difícil de todos os estados evolucionários, porque obriga o indivíduo a aprender a integrar a sua individualidade no consenso social, “obrigando-a” desta forma a avançar. O medo é a característica principal, medo de perder a sua individualidade na fusão ou absorção pela sociedade...o indivíduo deve perceber que esse é um medo irracional e procurar destacar-se do ego, ele é um canal de expressão evolutiva num corpo humano, não é o “sol na terra”, contudo não deixa de ser uma indivíduo singular 3) Aqueles que quebram o chão debaixo dos pés dos outros, seguros de si próprios, sabendo que esperam violenta oposição pois ter-se-ão que debater com o “consenso”. Através desta forma integram-se com sucesso individualmente na sociedade. O indivíduo já não está preso as “belas obras que produziu”, mas sabe que as fez para atingir um desígnio mais elevado, entregando o seu “contributo” à sociedade, sem procurar para si vaidade, orgulho ou arrogância. Há alguns pontos de contacto entre esta fase final deste estádio e as fases iniciais do estado seguinte. O indivíduo começa a mexer-se livremente em direcção ao estádio seguinte e a sua aceleração evolutiva começa a fazer-se sentir. Os acontecimentos deixam de ser vistos como desligados uns dos outros e as peças do “puzzle” começam a encaixar umas nas outras. Alberga uma pequena porção de indivíduos.
O estado espiritual, que neste contexto significa aberto a todos os ensinamentos, pois sabe que todos os caminhos vão dar ao mesmo sitio. O conhecimento superior e a consciência de que a unidade com algo superior é inevitável. A consciência destes indivíduos é definida pela disciplina filosófica e espiritual que abraçam, usualmente ligada ao universal e ao transcendente que está para além do tempo e do espaço (o conceito de tempo é uma invenção puramente mental). O centro de gravidade da consciência passa do ego para o espirito ou alma, no entanto experienciam ambos os estados e sabem que emanam todos da Fonte de Todas as Coisas (há também quem chame Deus...) Também aqui há várias fases: 1) humildade, o ego é um grão de areia numa praia porque sabe que há “algo maior”, buscam activamente mestres espirituais que os ajudem a definir a realidade interior e exterior. Muitos desejam partilhar o seu serviço para os outros, ao serviço de uma causa maior, com plena consciência (não confundir com aqueles que por causa da “causa maior”, causam as maiores causalidades a si mesmos) de que irão beneficiar outros com os seus conhecimentos. Vêem o indivíduo como um todo e que faz parte do todo. 2) Fase perigosa para o ego, a vaidade, o indivíduo sente-se um “iluminado”, um mestre espiritual ou guru ou curador, porque acha que detém a verdade, os verdadeiros falsos profetas. Aqui o ego deverá ser destruído e o indivíduo deverá deixar de se identificar com ele. A sua estrutura (do ego) não mais é necessária para proteger o indivíduo do que quer que seja. O indivíduo nada teme e está a preparar-se para a fase final 3) as verdadeiras almas que chegam a Deus em vida (Dalai Lama, Madre Teresa, João Paulo II...) e outros que apenas apontam o caminho para Deus, mas não para si próprios... O estado onde todos chegaremos um dia “se Deus quiser”. Uma porção muito pequena dos indivíduos vive neste estado.
O estado pouco diferenciado ou ainda pouco desenvolvido. Aqueles indivíduos que por circunstâncias várias chegam a esta vida com reduzida capacidade de consciência. Também aqui há vários grupos 1) indivíduos portadores de deficiências várias sobretudo ao nível mental ou outros tipos de doença que limitem a consciência. O seu propósito nesta vida é o de progressivamente se tornarem mais atentos a si mesmos, com o propósito de poderem vir a integrar o estado de consenso 2) neste grupo estarão os indivíduos que terão consciência das suas limitações e que por esse motivo levantarão fúria ou raiva para consigo próprios ou outros. Uma porção muito pequena dos indivíduos vive neste estado.
Dois indivíduos portadores de mapa astrológico muito semelhante poderão estar em estádios de evolução completamente diferentes. Esta diferenciação serve-nos também o propósito com que iremos abordar a temática astrológica. Falaremos de molde a poder passar a noção de que indivíduos em situações semelhantes, podem estar em estados de maturidade diferentes, conduzindo a respostas muito diversas. Este assunto dos diferentes estados de maturidade é muito interessante, tentarei sempre que possível reflectir um pouco mais sobre ele, há muitas dificuldades inerentes, há muitos obstáculos á passagem para estados diferentes, tudo isso merece um artigo.
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