março 31, 2005

Assertividade…Raiva…Agressividade

Aparentemente estes conceitos parecem um pouco desconexos entre si, no entanto partilham ambos a mesma “paternidade” astrológica: Marte, uma vez que estamos em Carneiro, regido por Marte, faz sentido abordar um pouco estas temáticas e ver de que modo aparecem relacionadas.

Marte é conotado com a agressividade, o termo pode ser compreendido de duas formas, uma, que compreende acção dirigida de modo dinâmico, tenaz, persistente, e outra, tendo uma conotação associada à violência, física ou psicológica. Pode-se dizer de alguém (um vendedor, por ex.) que é agressivo, porque tenta alcançar os seus objectivos de modo dinâmico, continuado, persistente, motivado, pelo contrário pode-se dizer que determinada pessoa fica agressiva quando bebe, referindo-se ao seu carácter violento alterado pela bebida. A este propósito observe-se que o fígado é um dos órgãos que mais é afectado pela ingestão de bebidas alcoólicas, sendo no corpo humano, a par da vesícula, considerado o órgão associado à violência, à agressividade, dai a expressão “maus fígados” para quem tem mau feitio ou carácter agressivo ou violento.

Em termos astrológicos, Marte é considerado a oitava inferior de Plutão, o qual pode ser considerado a “fonte dos desejos”, daí a frase afirmativa de Escorpião (regido por Plutão), “Eu desejo”, portanto Marte é a capacidade de agir para satisfazer esses desejos. Falámos num outro texto da mecânica desejo-necessidade-motivação-estratégia-decisão-acção, se Plutão está na ponta do espectro relativa ao desejo, Marte é aquele que age para o satisfazer. Dai se considerar a assertividade e a agressividade, como características marcianas, porque impelem à acção, em última análise, baseada no desejo.

Apesar de Marte ser conotado com agressividade, não é contudo legítimo afirmar que os nativos de Carneiro são mais violentos ou agressivos que outros signos. A manifestação exterior de agressividade física ou violência é mais comum nos homens que nas mulheres, e em cada signo existe aspectos específicos que levam o nativo a tornar-se agressivo ou violento. Em Carneiro, o que leva o nativo a esse estado, tem que ver com o impedimento, dado ser um signo de acção, afirmação pessoal, tudo o que impeça o nativo de fazer, de se afirmar, pode torná-lo agressivo ou violento. Podemos pensar em mil e uma maneiras de impedir alguém de se afirmar, pelo que como podem notar, estamos perante um universo vasto de hipóteses.

No entanto essa agressividade pode ou não ser expelida para o exterior, pelo que não existindo exteriorização da mesma, ela é contida, engolida, é direccionada para si próprio, tornando o indivíduo no passivo-agressivo, por contraposição ao agressivo-activo, que agride outros, canalizando a agressão para o exterior. O indivíduo passivo-agressivo também agride para o exterior mas de uma forma mais encoberta, não tão clara, quase deixando subentender que está ele a ser a vítima e não o agressor, note-se contudo que esta canalização da raiva é potencialmente mais danosa porque por um lado, o indivíduo desresponsabiliza-se da sua raiva, quer culpar outros pela mesma, e por outro lado, interioriza-a, perpetuando um movimento auto-destrutivo.

Uma das origens de raiva menos falada, é a raiva como inverso do apego. Se vejo um objecto que desejo, gero um apego desejoso por esse objecto e tudo farei para que fique ao meu alcance, pelo contrário, se estou perante um objecto repugnante, tenho raiva a esse objecto e quero vê-lo longe de mim. Quando me refiro a um objecto, pode ser uma pessoa, uma ideia, ou algo material. Ambas as atitudes parecem ser contrárias ao cultivo do Amor verdadeiro, uma porque se apega ao objecto e o deseja possuir, a outra porque tem raiva do mesmo. A questão dos desejos ficará no entanto para quando chegarmos a Escorpião, por ora, tentemos perceber que muitas das coisas que desejamos, apenas o fazemos porque achamos que nos fazem falta, em princípio, porque cremos não as ter em nós.

A assertividade por sua vez tem que ver com expressar clara e objectivamente aquilo que sinto e pretendo, no fundo aquilo que desejo, isso é algo que é muito importante para todos os indivíduos, independentemente do signo a que pertencem, expressar e agir para satisfazer os seus desejos Se o indivíduo não consegue ser assertivo naquilo que lhe é mais fundamental, dá-se o aparecimento da raiva, e com esta, da agressividade violenta, exteriorizada ou interiorizada. É necessário entender que a raiva também tem que ver com algo em nós que está “preso”, que necessita de ser libertado, exteriorizado, pode ser um segredo que nos molesta, algo que temos para dizer a alguém, mas é sobretudo algo que nos está constantemente a agredir, até que nos consigamos libertar disso. Isto leva à compreensão do mecanismo desejo-acção, em que muitas vezes a não concretização dos nossos desejos, leva ao aparecimento da raiva.

Todavia é de compreender que os nossos desejos conflitam com os de outra pessoas e que cabe a cada um agir de modo a obter aquilo que deseja. Não existe ninguém que nos possa impedir de termos aquilo que desejamos, em termos genéricos, mas muitas pessoas simplesmente não agem para obter o que pretendem, queixando-se da sorte e dos deuses, ficando desse modo propensas à raiva e a um dos seus sub-produtos, a inveja.

Ao estarmos sintonizados com este tipo de energias, estamos impedidos de nos sintonizar com outras mais finas e refinadas, no entanto há que perceber que esse padrão pode ser alterado. Por outro lado, muitos de nós tem um carácter mais ou menos agressivo, é bom que se perceba que isso nem é mau nem bom, é o que é, faz parte das características do indivíduo, é um activo dessa pessoa que lhe pode servir utilmente para muitas finalidades, o que convém perceber é se estamos a direccionar bem essa energia, e de que modo podemos torná-la mais operante a nosso favor, sobretudo se estamos a ser assertivos, se estamos a comunicar clara, objectivamente e em tempo, as nossas necessidades, anseios, sentimentos, frustrações, porque caso contrário, ficamos com isso para nós e isso vai-nos minando a vida.

A raiva é uma expressão negativa de Marte, ainda que inevitável, sinaliza a oportunidade para que o indivíduo compreenda que está próximo dos seus limites e de que deve agir para a ultrapassar, tentando compreender dentro de si o que despoleta esse mecanismo, tentando compreender-se no momento em que “está a ser caçado”, do que é que pode estar na origem desse sentimento, assim contribuindo para uma maior compreensão, integração, aceitação e mudança de si mesmo. O mecanismo da raiva é uma espécie de acumulação de energia negativa, que pode ser transformada de várias formas, sobretudo privilegiando aquelas em que o corpo é mais solicitado.

Nas mulheres, Marte não é muitas vezes visto como algo individual, que se possui, pelo que esse padrão energético é projectado ou procurado no homem. Aliás, uma das formas como podemos avaliar isso é verificando via Marte (e Sol) no signo e aspectos, por que homens se sente a mulher atraída ou o que é que a repele nos homens. A projecção não tem que ser sempre necessariamente negativa, desde que se compreenda o que é que se projecta, mas isso raramente está acessível até que se inicie alguma forma de desenvolvimento pessoal, que leve ao contacto com formas de tomada de consciência. Por outro lado, Marte nas mulheres indica sempre a necessidade de expressar esse tipo de energia de modo consciente, sob pena de eternamente procurar no parceiro aquilo que tem em si, mas que não compreende. Mas já estamos a fugir um pouco ao tema, deixemos estes aspectos para os textos ligados aos relacionamentos, por vezes a escrita entusiasma, de qualquer maneira era só uma temática concernente a Marte, não tanto a Carneiro, todavia estão ambos relacionados, e como estamos em mês de Carneiro…