Do presente, do aqui e agora…da experiência
Farei aqui uma breve abordagem de uma temática que parece ser um pouco complexa de perceber, o presente, o hic et nunc, o aqui e agora, relacionando-a também com o facto da experimentação, pois que são ambos temas da trama do signo de Carneiro, que ambiciona a viver e a experiência em toda a sua plenitude.
Creio que actualmente estejamos um pouco distanciados do “momento” e da “experiência”, sobretudo devido à aprendizagem ou ao que a sociedade, a cultura, a família, nos vai impondo. O momento e a experiência são tidos como uma acumulação mais ou menos irrelevante de “presenças” as mais das vezes sem qualquer significado. Por experiência entende-se também o conjunto de expectativas que se tem acerca da somatório do maior número de actos mais ou menos “radicais”, ou seja a própria experiência já contém em si a expectativa do momento e por outro lado, serve para acrescentar “radicalidade”, algo com que se pode ficar bem visto, mas que na grande maioria dos casos não passa de uma inutilidade para o curriculum. Noutro exemplo, não raro, ouço alguém afirmar “fui a tal acontecimento” e outro alguém com o consequente “também estive lá”, se insisto em saber mais acerca das emoções ou da experiência desse momento, em que medida se sentiu atingido, geralmente a conversa torna-se “nebulosa”, por assim dizer.
Obviamente existem algumas reticências à descrição de uma experiência, de algo que é inteiramente subjectivo, ensinam-nos erradamente, que tudo pode ser dito, descrito, explicado, que só existem os fenómenos que podem ser observados e explicados. A linguagem é muitas vezes insuficiente para descrever algo, apenas tenta transmitir ao Outro a nossa experiência, mas essa só pode ser uma fracção dela, e para além de incompleta é inteiramente subjectiva. Qualquer situação que eu tente descrever a outra pessoa, é algo que só essa pessoa experienciando, a pode perceber inteiramente, pelo que vejam isto que vou escrever acerca do aqui e agora, como algo muito incompleto, porque se trata de algo que vai para além da compreensão intelectual, é algo que deve ser vivenciado para ser compreendido. Afirmei anteriormente que estamos apenas no domínio da compreensão intelectual ou mental, a verdadeira compreensão envolve o experimentar, quem possa pensar que aprende tudo nos livros, está completamente errado, a vida não se aprende nos livros, o autoconhecimento também não, apenas sob a forma de uma primeira compreensão intelectual, mas essa não é tudo, é apenas o primeiro passo na direcção da compreensão total que envolve todos os domínios do ser: mental, físico, psicológico, espiritual. Alguém aprende a andar de bicicleta lendo um livro? Experienciar o momento presente é algo semelhante, envolve todo o nosso ser, não apenas o mental.
Estar no aqui e agora, é não estar nem no passado, nem no futuro, isso é simples de perceber, fisicamente todos estamos no momento presente, mentalmente alguns vivem no (e do) passado, das memórias do que foram, do que lhes aconteceu de bom ou de mau, da nostalgia do que foi, outros só aspiram ao dia de amanhã, sentem-se insatisfeitos e impacientes com o dia de hoje, estão preocupados com o amanhã (os mais velhos) ou sofrem com as expectativas (os mais novos), a ansiedade de não saberem o que virá, “ai que não chove, ai se chove, ai que choveu”. Se os primeiros querem que o presente seja passado, os segundos querem que o futuro seja passado, previsível, conhecido. Em ambos os casos, a necessidade de “controlar”, a necessidade de se sentirem seguros, ou tornando conhecido aquilo que ainda não é (expectativas, hipóteses) ou refugiando-se no passado, no já conhecido. Se uma atitude impele a permanecer no passado, a outra foge para o futuro, em nenhum dos casos há a permanência no momento presente, concretamente o único que existe.
Um exercício simples será o de pararmos um minuto e tentarmos reflectir sobre o presente, o que é o momento, se verificarmos, não existe presente, existe apenas uma abertura, um momento, estamos abertos ao acontecimento, que acontece ou não, estamos abertos à experiência, a apreciar. Muitos não apreciam o momento presente, certamente acham que apreciarão melhor o seguinte, mas no momento seguinte a atitude repete-se, outros porque acham que já houve momentos melhores, no fundo perdem todos os momentos e raramente apreciam algum porque verdadeiramente não o vivem, não o apreciam. Se estou ancorado no passado ou preocupado no futuro, vivo tudo menos o momento presente, não dou resposta às solicitações do momento, adio, “ausento-me” para o passado ou para o futuro, mas isso implica deixar de viver conscientemente, em cada momento decidindo do meu projecto existencial. Essa atitude parece ser fonte de muitos problemas hoje em dia, desconcentração, ansiedade, vazio, ausência, são sintomas que podem significar uma incapacidade temporária para a conexão com o presente.
Quando vou a uma discoteca ou um bar com amigos o assunto discutido é muitas vezes o mesmo, “isto está bom, está mau” e assim ficam felizes ou infelizes consoante o ambiente. Essa atitude contém dois erros, um, o não aproveitamento do momento, o outro, a dependência externa de algo que gera satisfação. Isso provavelmente envolve muita expectativa acerca de desejos da parte deles, gerando desilusão, descontentamento, pelo que essa ansiedade tem muito de ilusão, de que o presente serve para satisfazer as nossas expectativas, pelo que se não o faz, devemos ir para o futuro, ou talvez mudar para outro bar…
Devo dizer que cultivar esta atitude é um pouco difícil, sobretudo ao início, de tal modo estamos enredados no passado e no futuro, mas convém lembrar que na maior parte dos casos apenas reproduzimos um comportamento aprendido, não questionado, provavelmente um condicionamento de que nos devemos livrar. Se queremos mudar a nossa perspectiva para o aqui e agora, temos que nos questionar para que nos servem determinadas atitudes e se estamos dispostos a mudá-las. Só o momento presente é vivido, não digo com isto que não se possa visualizar um futuro ou um passado, que as memórias são inúteis ou que o “sonhar acordado” o é, aliás são ambas coisas muito boas e úteis, o que questiono é a valor da expectativa como potencial distorção da experiência, da preocupação como potencial gerador de medo ao presente e à necessária abertura à experiência, da nostalgia como potencial distracção ao presente.
Creio que actualmente estejamos um pouco distanciados do “momento” e da “experiência”, sobretudo devido à aprendizagem ou ao que a sociedade, a cultura, a família, nos vai impondo. O momento e a experiência são tidos como uma acumulação mais ou menos irrelevante de “presenças” as mais das vezes sem qualquer significado. Por experiência entende-se também o conjunto de expectativas que se tem acerca da somatório do maior número de actos mais ou menos “radicais”, ou seja a própria experiência já contém em si a expectativa do momento e por outro lado, serve para acrescentar “radicalidade”, algo com que se pode ficar bem visto, mas que na grande maioria dos casos não passa de uma inutilidade para o curriculum. Noutro exemplo, não raro, ouço alguém afirmar “fui a tal acontecimento” e outro alguém com o consequente “também estive lá”, se insisto em saber mais acerca das emoções ou da experiência desse momento, em que medida se sentiu atingido, geralmente a conversa torna-se “nebulosa”, por assim dizer.
Obviamente existem algumas reticências à descrição de uma experiência, de algo que é inteiramente subjectivo, ensinam-nos erradamente, que tudo pode ser dito, descrito, explicado, que só existem os fenómenos que podem ser observados e explicados. A linguagem é muitas vezes insuficiente para descrever algo, apenas tenta transmitir ao Outro a nossa experiência, mas essa só pode ser uma fracção dela, e para além de incompleta é inteiramente subjectiva. Qualquer situação que eu tente descrever a outra pessoa, é algo que só essa pessoa experienciando, a pode perceber inteiramente, pelo que vejam isto que vou escrever acerca do aqui e agora, como algo muito incompleto, porque se trata de algo que vai para além da compreensão intelectual, é algo que deve ser vivenciado para ser compreendido. Afirmei anteriormente que estamos apenas no domínio da compreensão intelectual ou mental, a verdadeira compreensão envolve o experimentar, quem possa pensar que aprende tudo nos livros, está completamente errado, a vida não se aprende nos livros, o autoconhecimento também não, apenas sob a forma de uma primeira compreensão intelectual, mas essa não é tudo, é apenas o primeiro passo na direcção da compreensão total que envolve todos os domínios do ser: mental, físico, psicológico, espiritual. Alguém aprende a andar de bicicleta lendo um livro? Experienciar o momento presente é algo semelhante, envolve todo o nosso ser, não apenas o mental.
Estar no aqui e agora, é não estar nem no passado, nem no futuro, isso é simples de perceber, fisicamente todos estamos no momento presente, mentalmente alguns vivem no (e do) passado, das memórias do que foram, do que lhes aconteceu de bom ou de mau, da nostalgia do que foi, outros só aspiram ao dia de amanhã, sentem-se insatisfeitos e impacientes com o dia de hoje, estão preocupados com o amanhã (os mais velhos) ou sofrem com as expectativas (os mais novos), a ansiedade de não saberem o que virá, “ai que não chove, ai se chove, ai que choveu”. Se os primeiros querem que o presente seja passado, os segundos querem que o futuro seja passado, previsível, conhecido. Em ambos os casos, a necessidade de “controlar”, a necessidade de se sentirem seguros, ou tornando conhecido aquilo que ainda não é (expectativas, hipóteses) ou refugiando-se no passado, no já conhecido. Se uma atitude impele a permanecer no passado, a outra foge para o futuro, em nenhum dos casos há a permanência no momento presente, concretamente o único que existe.
Um exercício simples será o de pararmos um minuto e tentarmos reflectir sobre o presente, o que é o momento, se verificarmos, não existe presente, existe apenas uma abertura, um momento, estamos abertos ao acontecimento, que acontece ou não, estamos abertos à experiência, a apreciar. Muitos não apreciam o momento presente, certamente acham que apreciarão melhor o seguinte, mas no momento seguinte a atitude repete-se, outros porque acham que já houve momentos melhores, no fundo perdem todos os momentos e raramente apreciam algum porque verdadeiramente não o vivem, não o apreciam. Se estou ancorado no passado ou preocupado no futuro, vivo tudo menos o momento presente, não dou resposta às solicitações do momento, adio, “ausento-me” para o passado ou para o futuro, mas isso implica deixar de viver conscientemente, em cada momento decidindo do meu projecto existencial. Essa atitude parece ser fonte de muitos problemas hoje em dia, desconcentração, ansiedade, vazio, ausência, são sintomas que podem significar uma incapacidade temporária para a conexão com o presente.
Quando vou a uma discoteca ou um bar com amigos o assunto discutido é muitas vezes o mesmo, “isto está bom, está mau” e assim ficam felizes ou infelizes consoante o ambiente. Essa atitude contém dois erros, um, o não aproveitamento do momento, o outro, a dependência externa de algo que gera satisfação. Isso provavelmente envolve muita expectativa acerca de desejos da parte deles, gerando desilusão, descontentamento, pelo que essa ansiedade tem muito de ilusão, de que o presente serve para satisfazer as nossas expectativas, pelo que se não o faz, devemos ir para o futuro, ou talvez mudar para outro bar…
Devo dizer que cultivar esta atitude é um pouco difícil, sobretudo ao início, de tal modo estamos enredados no passado e no futuro, mas convém lembrar que na maior parte dos casos apenas reproduzimos um comportamento aprendido, não questionado, provavelmente um condicionamento de que nos devemos livrar. Se queremos mudar a nossa perspectiva para o aqui e agora, temos que nos questionar para que nos servem determinadas atitudes e se estamos dispostos a mudá-las. Só o momento presente é vivido, não digo com isto que não se possa visualizar um futuro ou um passado, que as memórias são inúteis ou que o “sonhar acordado” o é, aliás são ambas coisas muito boas e úteis, o que questiono é a valor da expectativa como potencial distorção da experiência, da preocupação como potencial gerador de medo ao presente e à necessária abertura à experiência, da nostalgia como potencial distracção ao presente.
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