Peixes e a co-dependência
Em que medida Peixes se pode rever na co-dependência? Como vimos nos artigos anteriores, algumas tramas mais frequentes neste signo são a ilusão e idealização, inimigas da percepção e da consciência individual e logo do relacionamento. Ao aceitar que não existem seres ideais ou perfeitos, disponho-me a aceitar o Outro como é, e evidentemente, isso só acontece se eu fizer isso em relação a mim próprio. O verdadeiro relacionamento amoroso só começa na medida em que me disponho a aceitar o Outro tal como é, tudo o resto que se possa apelidar de relacionamento, não é digno desse nome enquanto essa condição perdurar e isso está largamente dependente de como me aceito a mim próprio.
A incapacidade para estabelecer barreiras é outra característica e também essa é prejudicial ao desenvolvimento pessoal na relação, se o Outro é uma extensão de mim, deixo de ser quem sou para ser eu e o Outro em simultâneo. A minha individualidade, a minha personalidade fica embrulhada na do Outro, deixando de haver uma percepção clara de quem sou Eu. Subjacente a tudo isto, está o raciocínio de que as relações servem ao nosso crescimento e desenvolvimento pessoal e dos nossos parceiros.
Pessoas que não partilhem desta visão, obviamente verão as relações como extensões dos seus desejos e pretensões pessoais, de modo egoísta e puramente utilitário: ambição, sexo, dinheiro. Se um automóvel é um utilitário, a mulher ou o homem também o pode ser, troque-se de parceiro a cada cinco anos, pois os carros não duram toda a vida. Porquê? Aparentemente o Outro serve-nos como valorização do nosso Eu, tal como um objecto o faz.
A trama vítima-salvador própria de um nativo que intuitivamente quer “ajudar” o Outro, e também pode fazê-lo tornando-se vítima, é o protótipo quase perfeito da co-dependência. O eixo Peixes-Virgem aparenta ser problemático no que diz respeito aos relacionamentos sobretudo devido a estas questões. Existem muitas variantes desta opção e várias delas serão vistas à posteriori. Em todas elas, reina a desigualdade, a dominação-submissão, o ajudar-se a si próprio, sob a máscara de ajudar o Outro.
Neste fim de semana assisti ao filme "Constantine" com o Keanu Reeves, que aborda este tema de modo muito pouco ortodoxo mas também consciente, o protagonista revela sempre lucidez quanto aos seus propósitos, não espera salvar Outros de modo altruista, o que aliás vê como uma maldição, busca apenas salvar-se a si próprio. É muito interessante para rever esta dinâmica de vítima-salvador. Keanu Reeves tem estado ultimamente associado a filmes que procuram obter respostas para o mistério da vida (vide a trilogia Matrix), até parece que estou a publicitar o actor, mas não, são filmes que efectivamente procuram acrescentar algo para além da dimensão meramente entertainment.
A co-dependência não é no entanto um apanágio exclusivo deste signo, apenas procurámos iluminar alguns elementos que se possam considerar como característicos desse tipo de relacionamento e que estejam presentes em pessoas cujas características de relacionamento possam ser neptunianas. Por outro lado, convém esclarecer que na medida em que o indivíduo esclarecido procura obter confirmação do seu procedimento relacional errado, já se encontra no caminho do crescimento.
O ciclo de confrontação com algo que nos incomoda, envolve negação-consciencialização-perturbação ou revolta-assimilação ou integração-progressão. Num relacionamento a música toca a dois, não é um solo, há que manter cuidados adicionais na medida em que se descobrem novas tramas ou atitudes relacionais indesejáveis. A nossa parceria nem sempre pode estar interessada nas nossas supostas “verdades”, porque as mesmas também podem ser erradas, ou porque simplesmente não está interessada em mudar o statu quo. Não é de todo conveniente chegar a casa e afirmar alto e bom som “temos um relacionamento co-dependente, há que mudar”. A confusão e o motim não são bons conselheiros. Verifica-se muitas vezes em pessoas que iniciam processos de mudança (terapias por exemplo), a necessidade de cortar com laços existentes, materiais, pessoais, relacionais, etc. Se nalguns casos isso parece ser efectivamente necessário, noutros há que ponderar o corte “a eito”, sobretudo no que envolve relacionamentos, amizade, família, uma vez que a necessidade do corte também pode ser efectivada simbólica e interiormente, não necessariamente com atitudes exteriores que possam ferir ou eliminar terceiros.
À medida que formos passando pelos vários signos e sempre que possível, tentaremos relacionar em cada um também estas características. Acompanhe-nos nesta viagem.
A incapacidade para estabelecer barreiras é outra característica e também essa é prejudicial ao desenvolvimento pessoal na relação, se o Outro é uma extensão de mim, deixo de ser quem sou para ser eu e o Outro em simultâneo. A minha individualidade, a minha personalidade fica embrulhada na do Outro, deixando de haver uma percepção clara de quem sou Eu. Subjacente a tudo isto, está o raciocínio de que as relações servem ao nosso crescimento e desenvolvimento pessoal e dos nossos parceiros.
Pessoas que não partilhem desta visão, obviamente verão as relações como extensões dos seus desejos e pretensões pessoais, de modo egoísta e puramente utilitário: ambição, sexo, dinheiro. Se um automóvel é um utilitário, a mulher ou o homem também o pode ser, troque-se de parceiro a cada cinco anos, pois os carros não duram toda a vida. Porquê? Aparentemente o Outro serve-nos como valorização do nosso Eu, tal como um objecto o faz.
A trama vítima-salvador própria de um nativo que intuitivamente quer “ajudar” o Outro, e também pode fazê-lo tornando-se vítima, é o protótipo quase perfeito da co-dependência. O eixo Peixes-Virgem aparenta ser problemático no que diz respeito aos relacionamentos sobretudo devido a estas questões. Existem muitas variantes desta opção e várias delas serão vistas à posteriori. Em todas elas, reina a desigualdade, a dominação-submissão, o ajudar-se a si próprio, sob a máscara de ajudar o Outro.
Neste fim de semana assisti ao filme "Constantine" com o Keanu Reeves, que aborda este tema de modo muito pouco ortodoxo mas também consciente, o protagonista revela sempre lucidez quanto aos seus propósitos, não espera salvar Outros de modo altruista, o que aliás vê como uma maldição, busca apenas salvar-se a si próprio. É muito interessante para rever esta dinâmica de vítima-salvador. Keanu Reeves tem estado ultimamente associado a filmes que procuram obter respostas para o mistério da vida (vide a trilogia Matrix), até parece que estou a publicitar o actor, mas não, são filmes que efectivamente procuram acrescentar algo para além da dimensão meramente entertainment.
A co-dependência não é no entanto um apanágio exclusivo deste signo, apenas procurámos iluminar alguns elementos que se possam considerar como característicos desse tipo de relacionamento e que estejam presentes em pessoas cujas características de relacionamento possam ser neptunianas. Por outro lado, convém esclarecer que na medida em que o indivíduo esclarecido procura obter confirmação do seu procedimento relacional errado, já se encontra no caminho do crescimento.
O ciclo de confrontação com algo que nos incomoda, envolve negação-consciencialização-perturbação ou revolta-assimilação ou integração-progressão. Num relacionamento a música toca a dois, não é um solo, há que manter cuidados adicionais na medida em que se descobrem novas tramas ou atitudes relacionais indesejáveis. A nossa parceria nem sempre pode estar interessada nas nossas supostas “verdades”, porque as mesmas também podem ser erradas, ou porque simplesmente não está interessada em mudar o statu quo. Não é de todo conveniente chegar a casa e afirmar alto e bom som “temos um relacionamento co-dependente, há que mudar”. A confusão e o motim não são bons conselheiros. Verifica-se muitas vezes em pessoas que iniciam processos de mudança (terapias por exemplo), a necessidade de cortar com laços existentes, materiais, pessoais, relacionais, etc. Se nalguns casos isso parece ser efectivamente necessário, noutros há que ponderar o corte “a eito”, sobretudo no que envolve relacionamentos, amizade, família, uma vez que a necessidade do corte também pode ser efectivada simbólica e interiormente, não necessariamente com atitudes exteriores que possam ferir ou eliminar terceiros.
À medida que formos passando pelos vários signos e sempre que possível, tentaremos relacionar em cada um também estas características. Acompanhe-nos nesta viagem.
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