Peixes e os relacionamentos 2
No artigo anterior iniciámos a digressão pelo amor relacional em Peixes. Quem leu certamente notou que faço distinção entre vários tipos de amor, o amor relacional é aquele que nasce de duas pessoas maduras (que se auto conhecem) e plenamente aceitantes um do outro. Quantos levantam o braço? Alguns, se eu começar a especificar um pouco mais, sobram muito poucos, infelizmente.
Em potencial, no nativo de Peixes existe essa aceitação incondicional, dada a sua enorme tendência à empatia e à compaixão. Se o nativo se encontra num estado de evolução após “consenso” (vide texto “onde estamos nós"), é quase provável que queira começar a dissolver as fronteiras do ego, aliás leit motiv fundamental deste signo. Em teoria, se o pretende para si também não o nega à parceria que escolhe pelo que, podemos começar a ter o casal espiritual, que pode viver em comunhão ou separado, mas apenas fisicamente, a sua união já ultrapassa os limites normais. Para quem acredita no final feliz, este é o momento de começar a arregalar os olhos, ele existe, no entanto, tudo aquilo que se percorre para chegar a esse ponto, é um caminho que muitos não estão dispostos a palmilhar e se se dispõem a tal, fazem-no muitas vezes com as pessoas e pelos motivos errados, sobretudo por desconhecimento, os budistas são mais prosaicos e dizem, por ignorância. Oiço demasiadas vezes que também se aprende batendo com a cabeça, é um facto, concordo, mas os galos demoram anos a passar e observo tendências de padrão, ou seja de repetição, as mesmas pessoas a cometer os mesmos erros, com o mesmo tipo de pessoas com quem os cometeram anteriormente. Porquê? Falta de auto conhecimento, falta de saber acerca dos processos interiores. Começo a soar repetitivo?
Mas voltemos ao Peixes, alguém que dá amor, pouco se importando se o recebe (altruísmo), é acima de tudo um dador, mas por cada dador hà um “vampiro” e quem dá demais, normalmente atrai esse género emocional. Em Peixes a dificuldade em estabelecer limites na relação, novos perigos coloca. “Se tudo é possível, nem tudo nos convém”, máxima que deveria viver por cima de cada porta de casal, que em Peixes parece também algo maltratada. Se existe um sentimento de inferioridade ou de fraqueza, o indivíduo sente-se sem poder próprio, vítima da vida e vai para a relação vivenciando os valores do outro, porque não tem os seus nem conhece os seus recursos. Desse modo, tranquilamente deixam que alguém tome conta de si alienando a sua responsabilidade pessoal, os seus valores, reconheçamos que existem sempre “mãezinhas e paizinhos” dispostos a fazer esse papel pela vida fora, fornecendo valores e responsabilidade a quem a não tem, ignorando todavia que está a prejudicar mais que a ajudar.
Em todo o caso, a temática Peixes parece girar em torno do eixo desilusão – espiritualidade. Se o nativo vive uma vida materialista e hedonista, tarde ou cedo encontrará a desilusão que esse tipo de rota proporciona. Se opta pelo ramo oposto e adopta um sistema de valores de natureza religiosa que não é seu, também chega á desilusão porque à grande maioria das doutrinas não está associada a doutrina fundamental: a de um amor incondicional e plenamente aceitante, antes pelo contrário, o juízo fundamentalista e a contricção moral. Em face dessa desilusão e desse esvaziamento de valores alheios, começa a verdadeira jornada para a espiritualidade.
Isso também tem que acontecer no amor? Vemos que o potencial para a desilusão no amor é forte em Peixes ou nativos anteriormente conotados com aspectos relacionais em Peixes ou Neptuno. Se desse modo saem duma desilusão, podem entrar noutra abraçando causas que não são as suas. Parece necessário que o nativo encontre respostas dentro de si, antes de as procurar em tudo o que forneça valores e responsabilidade “em pacote”.
A desilusão está sempre ligada a altas expectativas, não só à ilusão. Idealista, este nativo pode ter tendência a ver os outros pelas suas lentes e tudo o que corresponda a menos que o ideal, é descartável. Os aspectos a Neptuno são fundamentais para se perceber “quem” o nativo “idealiza”, se Sol e Marte na mulher, esta vai estar eternamente insatisfeita na escolha do parceiro; se Lua e Vénus no homem, é aquele que padece da insatisfação do nunca perfeito. Representando o Sol em conjunto com Marte, nas mulheres e segundo os astrólogos mais jungianos, a auto-imagem de homem desejada, qualquer aspecto neptuniano ao astro rei e àquele planeta, pode “idealizar” e consequentemente levar à desilusão. Este não é no entanto um assunto fácil de categorizar. Analisando aspectos neptunianos de Sol e Marte num mapa feminino é possível perceber se há campo fértil a certas temáticas neptunianas na escolha do parceiro masculino, todavia as contas podem-se complicar se Sol e Marte estão em signos que não casam bem, ou podem ser atenuadas se esses planetas tem apoios específicos no mapa que permitam uma reaproximação favorável.
Em função dessa idealização, optando por “assentar” com alguém que não é o “ideal”, nesses nativos correm interiormente os subterrâneos da desilusão e a pessoa “deprime”, “ausenta-se”, “isola-se”, assistindo-se a todo um cenário de escapismo que se pode imaginar. A idealização, supõe muitas vezes perfeição, pureza, factores desejados, mas raras vezes observados no que ao ser humano diz respeito. A aceitação tranquila de que nem em nós nem nos outros existe pureza e perfeição, parece ser uma das verdades últimas. Caso contrário que estaríamos fazendo num mundo tão imperfeito?
Uma problemática também concernente a Neptuno é a da posição vítima-salvador. Alguém que se oferece em sacrifício por amor, devido sobretudo a um padrão inconsciente de culpa e masoquismo, “apanhei, mas mereci-as”, “ele/ela um dia mudará”. A entrega do amor faz-se em doses muito superiores às desejáveis, sobretudo devido à inexistência de barreiras, de limites na relação. Este não é um tipo de amor incondicional, ou seja, a doação embora o pareça de facto não é, exige algo do Outro em troca, que mude por exemplo. O amor incondicional entre duas pessoas permanece ainda uma forma rara, só possível quando ambos os membros do casal lutam por isso, e regra geral não é uma forma acabada, é digamos um alvo em movimento, atingível na medida em que cada um promova o seu crescimento pessoal e apoie o parceiro nessa demanda.
Veremos várias opções deste padrão nos textos dedicados aos tipos de relacionamento. Cada leitor deve procurar dentro de si perceber em que molde se encaixa, repito que a percepção do nosso percurso espiritual é essencial para percebermos estas questões. Foi escrito um texto propositado apenas para esse efeito (onde estamos nós) que deve ser lido de maneira a que cada um se possa situar. Como também já escrevi, em indivíduos no estado “consenso” a manifestação das energias é mais grosseira, nos indivíduos nos estados seguintes dá-se uma tendência ao refinamento das manifestações exteriores, as quais, mais não reflectem que o estado de evolução alcançado por esse indivíduo, o seu estado interior. O exterior sempre reflecte o interior. As várias nuances relacionais em Peixes ou em aspectos a Neptuno vão-se subtilizando na medida do crescimento interior de cada indivíduo. Seria mais simples descrever e quiçá, mais agradável de ler, o ideal dos amores em Peixes, essa não é a minha intenção, a zona das sombras é a que permite a visualização grosseira das energias, é nessa zona que podemos aspirar a melhorar, são os aspectos mais sombrios aqueles que sempre escapam à consciência. O nosso relacionamento nunca tem erros e nós nunca os cometemos, o nosso parceiro talvez, nós não, isso não é bem assim. Cada pessoa apenas depende de si para crescer, uma relação é uma equação a dois, se cada parceiro estiver empenhado individualmente no seu crescimento e em apoiar o Outro nas suas iniciativas, é possível estabelecer laços que perdurem e se fortaleçam pela vida fora. Se ao invés, o boicote é o statu quo, temos o pano de fundo para uma vida de sofrimento, e pior que isso, sofrimento não regenerador, pois que sempre o cremos imerecido e não como fazendo parte de uma aprendizagem evolucionária, de um percurso.
Na próxima semana já estaremos em Carneiro, primeira etapa do Zodíaco, começámos pelo fim, um novo ciclo começa, conto consigo para me acompanhar?
Em potencial, no nativo de Peixes existe essa aceitação incondicional, dada a sua enorme tendência à empatia e à compaixão. Se o nativo se encontra num estado de evolução após “consenso” (vide texto “onde estamos nós"), é quase provável que queira começar a dissolver as fronteiras do ego, aliás leit motiv fundamental deste signo. Em teoria, se o pretende para si também não o nega à parceria que escolhe pelo que, podemos começar a ter o casal espiritual, que pode viver em comunhão ou separado, mas apenas fisicamente, a sua união já ultrapassa os limites normais. Para quem acredita no final feliz, este é o momento de começar a arregalar os olhos, ele existe, no entanto, tudo aquilo que se percorre para chegar a esse ponto, é um caminho que muitos não estão dispostos a palmilhar e se se dispõem a tal, fazem-no muitas vezes com as pessoas e pelos motivos errados, sobretudo por desconhecimento, os budistas são mais prosaicos e dizem, por ignorância. Oiço demasiadas vezes que também se aprende batendo com a cabeça, é um facto, concordo, mas os galos demoram anos a passar e observo tendências de padrão, ou seja de repetição, as mesmas pessoas a cometer os mesmos erros, com o mesmo tipo de pessoas com quem os cometeram anteriormente. Porquê? Falta de auto conhecimento, falta de saber acerca dos processos interiores. Começo a soar repetitivo?
Mas voltemos ao Peixes, alguém que dá amor, pouco se importando se o recebe (altruísmo), é acima de tudo um dador, mas por cada dador hà um “vampiro” e quem dá demais, normalmente atrai esse género emocional. Em Peixes a dificuldade em estabelecer limites na relação, novos perigos coloca. “Se tudo é possível, nem tudo nos convém”, máxima que deveria viver por cima de cada porta de casal, que em Peixes parece também algo maltratada. Se existe um sentimento de inferioridade ou de fraqueza, o indivíduo sente-se sem poder próprio, vítima da vida e vai para a relação vivenciando os valores do outro, porque não tem os seus nem conhece os seus recursos. Desse modo, tranquilamente deixam que alguém tome conta de si alienando a sua responsabilidade pessoal, os seus valores, reconheçamos que existem sempre “mãezinhas e paizinhos” dispostos a fazer esse papel pela vida fora, fornecendo valores e responsabilidade a quem a não tem, ignorando todavia que está a prejudicar mais que a ajudar.
Em todo o caso, a temática Peixes parece girar em torno do eixo desilusão – espiritualidade. Se o nativo vive uma vida materialista e hedonista, tarde ou cedo encontrará a desilusão que esse tipo de rota proporciona. Se opta pelo ramo oposto e adopta um sistema de valores de natureza religiosa que não é seu, também chega á desilusão porque à grande maioria das doutrinas não está associada a doutrina fundamental: a de um amor incondicional e plenamente aceitante, antes pelo contrário, o juízo fundamentalista e a contricção moral. Em face dessa desilusão e desse esvaziamento de valores alheios, começa a verdadeira jornada para a espiritualidade.
Isso também tem que acontecer no amor? Vemos que o potencial para a desilusão no amor é forte em Peixes ou nativos anteriormente conotados com aspectos relacionais em Peixes ou Neptuno. Se desse modo saem duma desilusão, podem entrar noutra abraçando causas que não são as suas. Parece necessário que o nativo encontre respostas dentro de si, antes de as procurar em tudo o que forneça valores e responsabilidade “em pacote”.
A desilusão está sempre ligada a altas expectativas, não só à ilusão. Idealista, este nativo pode ter tendência a ver os outros pelas suas lentes e tudo o que corresponda a menos que o ideal, é descartável. Os aspectos a Neptuno são fundamentais para se perceber “quem” o nativo “idealiza”, se Sol e Marte na mulher, esta vai estar eternamente insatisfeita na escolha do parceiro; se Lua e Vénus no homem, é aquele que padece da insatisfação do nunca perfeito. Representando o Sol em conjunto com Marte, nas mulheres e segundo os astrólogos mais jungianos, a auto-imagem de homem desejada, qualquer aspecto neptuniano ao astro rei e àquele planeta, pode “idealizar” e consequentemente levar à desilusão. Este não é no entanto um assunto fácil de categorizar. Analisando aspectos neptunianos de Sol e Marte num mapa feminino é possível perceber se há campo fértil a certas temáticas neptunianas na escolha do parceiro masculino, todavia as contas podem-se complicar se Sol e Marte estão em signos que não casam bem, ou podem ser atenuadas se esses planetas tem apoios específicos no mapa que permitam uma reaproximação favorável.
Em função dessa idealização, optando por “assentar” com alguém que não é o “ideal”, nesses nativos correm interiormente os subterrâneos da desilusão e a pessoa “deprime”, “ausenta-se”, “isola-se”, assistindo-se a todo um cenário de escapismo que se pode imaginar. A idealização, supõe muitas vezes perfeição, pureza, factores desejados, mas raras vezes observados no que ao ser humano diz respeito. A aceitação tranquila de que nem em nós nem nos outros existe pureza e perfeição, parece ser uma das verdades últimas. Caso contrário que estaríamos fazendo num mundo tão imperfeito?
Uma problemática também concernente a Neptuno é a da posição vítima-salvador. Alguém que se oferece em sacrifício por amor, devido sobretudo a um padrão inconsciente de culpa e masoquismo, “apanhei, mas mereci-as”, “ele/ela um dia mudará”. A entrega do amor faz-se em doses muito superiores às desejáveis, sobretudo devido à inexistência de barreiras, de limites na relação. Este não é um tipo de amor incondicional, ou seja, a doação embora o pareça de facto não é, exige algo do Outro em troca, que mude por exemplo. O amor incondicional entre duas pessoas permanece ainda uma forma rara, só possível quando ambos os membros do casal lutam por isso, e regra geral não é uma forma acabada, é digamos um alvo em movimento, atingível na medida em que cada um promova o seu crescimento pessoal e apoie o parceiro nessa demanda.
Veremos várias opções deste padrão nos textos dedicados aos tipos de relacionamento. Cada leitor deve procurar dentro de si perceber em que molde se encaixa, repito que a percepção do nosso percurso espiritual é essencial para percebermos estas questões. Foi escrito um texto propositado apenas para esse efeito (onde estamos nós) que deve ser lido de maneira a que cada um se possa situar. Como também já escrevi, em indivíduos no estado “consenso” a manifestação das energias é mais grosseira, nos indivíduos nos estados seguintes dá-se uma tendência ao refinamento das manifestações exteriores, as quais, mais não reflectem que o estado de evolução alcançado por esse indivíduo, o seu estado interior. O exterior sempre reflecte o interior. As várias nuances relacionais em Peixes ou em aspectos a Neptuno vão-se subtilizando na medida do crescimento interior de cada indivíduo. Seria mais simples descrever e quiçá, mais agradável de ler, o ideal dos amores em Peixes, essa não é a minha intenção, a zona das sombras é a que permite a visualização grosseira das energias, é nessa zona que podemos aspirar a melhorar, são os aspectos mais sombrios aqueles que sempre escapam à consciência. O nosso relacionamento nunca tem erros e nós nunca os cometemos, o nosso parceiro talvez, nós não, isso não é bem assim. Cada pessoa apenas depende de si para crescer, uma relação é uma equação a dois, se cada parceiro estiver empenhado individualmente no seu crescimento e em apoiar o Outro nas suas iniciativas, é possível estabelecer laços que perdurem e se fortaleçam pela vida fora. Se ao invés, o boicote é o statu quo, temos o pano de fundo para uma vida de sofrimento, e pior que isso, sofrimento não regenerador, pois que sempre o cremos imerecido e não como fazendo parte de uma aprendizagem evolucionária, de um percurso.
Na próxima semana já estaremos em Carneiro, primeira etapa do Zodíaco, começámos pelo fim, um novo ciclo começa, conto consigo para me acompanhar?
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