Signo do mês – Peixes – Parte I
É um pouco complicado falar de astrologia sem expor alguns conceitos básicos, todavia não vou explicar o que são casas, aspectos, signos ou influências planetárias. A finalidade destes artigos é essencialmente a promoção da reflexão e o aprofundamento do conhecimento interior, ainda que não tendencialmente pedagógica, não tenho a presunção de ensinar astrologia. À medida que vou escrevendo, vou citando bibliografia, se estiverem interessados em aprofundar. Posso também fornecer mapas natais e trânsitos para o ano corrente comentados por mim, a quem pedir via mail, mediante pequena retribuição monetária. Essencial para quem pretende aflorar minimamente a astrologia, é a posse e estudo do mapa natal. Os interessados podem enviar email para joaohenriques1@gmail.com.
Em texto anterior, mencionei que o ser humano, em termos de evolução espiritual, se pode classificar em várias categorias, desde o consensual ao espiritual, passando pelo individualizado, cada um destes estados contendo categorias intermédias. A leitura desse artigo facilita a compreensão de tudo o que vier a escrever sobre astrologia. Não há moralismo envolvido ou façanha crítica arreganhada, apenas a constatação de que, provavelmente, coexistem seres humanos em níveis espirituais diferentes, em que alguns se sentem mais pressionados para o desenvolvimento e evolução e outros um pouco menos. De qualquer maneira, de acordo com a teoria proposta, a passagem e permanência nesses estados condiciona a forma de estar na vida e como os acontecimentos se desenrolam perante nós.
Começo pelo fim do Zodíaco, uma vez que o Psicótico nasceu em Peixes, que é o 12º e ultimo signo do Zodíaco, aliás coincidência feliz, dado que a confusão mental associada aos estados psicóticos é uma característica neptuniana, do regente de Peixes. A cada signo do Zodíaco está associada uma casa – são doze – e um ou vários regentes planetários. Associado á casa 12 e regido por Neptuno, Peixes faz parte do elemento Água, juntamente com Caranguejo (casa 4, regido por Lua) e Escorpião (casa 8, regido por Plutão). O elemento oposto e complementar é Terra, sendo a faculdade aérea (Ar) a menos desenvolvida neste elemento. Ao Ar está atribuída a função de cognição, de relacionamento mental, de intelecto. Á Água, a emoção, o sentimento, a sensibilidade psíquica. O conhecimento dos aspectos ligados aos elementos per si quase bastaria para caracterizar os signos. Um excelente livro que aborda a temática dos elementos é o de Liz Greene, Astrologia, Psicologia e os 4 elementos. Peixes é um signo feminino, como o são todos os de Água ou Terra, implicando que partilha de características yin, receptividade, passividade, contenção, acolhimento, sensibilidade, etc. Todo o ser humano é composto de yin ou yang independentemente de ser homem ou mulher. O segredo da convivência interior, parece ser justamente o resgate de cada uma das partes.
Tradicionalmente quando se fala do signo Peixes, fala-se do Sol nesse signo. A pessoa nasceu algures entre 20 de Fevereiro e 20 de Março. Isso é ter o Sol em Peixes, mas há outras características que podem definir o indivíduo como sendo pisciano. Cada influência planetária (o Sol não é um planeta, é um astro todavia emprega-se o termo planetário á falta de melhor termo) tem um significado específico. Podemos falar em indivíduos de fortes características piscianas quando de modo hierárquico temos: O Sol ou Lua ou o Ascendente em Peixes, o Sol na 12ª casa, quando o ascendente é Peixes, quando o Sol está em forte aspecto com Neptuno ou Neptuno de algum modo é proeminente no mapa natal. Todos os outros planetas poderão estar em Peixes, todavia não caracterizando tanto o indivíduo como sendo pisciano. Se tenho o Sol em Peixes e mais nenhum aspecto ligado com este signo ou Neptuno, posso dizer que uns 25% da minha personalidade são atribuídos ás qualidades do signo. Podemos dizer que um tema se confirma, á medida que vão sendo cada vez mais fortes as implicações desse tema no mapa natal. Se tenho 1) o Sol em Gémeos, 2) em aspecto com Neptuno, 3) na 12ª casa, estes 2 últimos aspectos fortalecem o tema Peixes, o núcleo da minha personalidade é fortemente pisciano, talvez metade Gémeos, metade Peixes, ainda que possa sofrer alguns conflitos internos devido a essa posição; Gémeos é Ar e está em quadratura -aspecto de tensão - com Peixes, os outros aspectos são ambos Àgua, elementos que não “casam” bem com Ar, sobretudo se o indivíduo ainda não integrou todos os elementos. A seguinte analogia personifica bem isso, quando o ar está muito frio, a água gela e forma uma crosta “protectora”. Assim são os caracteres aquáticos quando confrontados com “ares frios”. Se por outro lado tenho o Sol em Caranguejo, Lua em Escorpião e os mesmos aspectos do exemplo anterior, só dá Água, é melhor comprar uma banheira!
Este signo pode ser de tal modo ambivalente que podemos falar de místicos, dependentes, meditadores, alienados, santos, alcoólicos, loucos, médiuns, curadores, em todos o mesmo sentido comum, ainda que possivelmente inconsciente: a aspiração à união com o superior. Tão comum a um heroinómano que pretende ficar “alto”, a um consumidor de LSD que afirma estar próximo de Deus quando em trip, nestes, aspiração satisfeita pelas vias menos indicadas e potencialmente desperdiçantes. Nos grandes místicos e nos grandes meditadores, o enorme potencial que tem para estar sintonizados com a vibração básica do universo, a sincronização jungiana, talvez e que nos parece um aspecto crucial. Nos loucos, o isolamento forçado, a dessintonização total e alienante, mas também nestes a mesma aspiração, ainda que não satisfeita pelas vias normais, muitos afirmam falar com Deus. Nos seres mais elevados a sincronização total ou quase total em que tudo nas suas vidas tem um lugar próprio, nada é acaso, todos os momentos e acontecimentos são aproveitados independentemente do seu valor facial. Algo que me parece efectivo, é que nos indivíduos em estágios de desenvolvimento espiritual mais avançado, os termos bom ou mau não se aplicam. Existem na astrologia, aspectos harmónicos ou pressionantes que os vários planetas formam entre si no momento do nascimento (o mapa natal) ou que vão formando entre si ao longo da vida, dessa forma dando corpo ao projecto de si que a cada momento o indivíduo vai enfrentando ou não. Alguns desses aspectos só acontecem uma vez na vida, normalmente por um período de 2/3 anos pelo que seria essencial conhecê-los de modo a poder aproveitar todo o seu potencial transformador com o devido conhecimento de causa.
Peixes e Neptuno falam-nos da necessidade espiritual no indivíduo. Sendo o estágio final de todos os signos e dos signos de Água, representa o momento em que cada indivíduo aspira á elevação, provavelmente á passagem a um novo estágio de vida. Essa aspiração pode ser consciente ou inconsciente. A menos que o indivíduo já tenha feito um trabalho de conhecimento interior, dificilmente entende isto de bom grado.
Segundo a filosofia budista, a Iluminação é o momento em que o ser humano atinge o estágio final do seu desenvolvimento enquanto ser espiritual, o “clímax equivalente a mil orgasmos”, como descrito por Gueshe Kelsang Gyatso, lama da tradição budista Kadampa (* no final do texto existe contacto desta tradição em Lisboa, para quem estiver interessado em saber mais sobre o Budismo). Esse momento divino, só possível pela profunda entrega, humildade, compaixão, devoção, capacidade de isolamento e capacidade psíquica, ajuda a compreender como essas são características próprias de um nativo evoluído de Peixes. A espiritualidade é um assunto inerente ao ser humano, ainda que alguns se mantenham alheios e confusos. Alguma fonte dessa confusão parece ser a sobreposição espiritual-religioso, os termos não devem ser confundidos. A espiritualidade pode ser buscada/encontrada através da religião, tanto como através de outras formas, formas essas por vezes algo difusas ou de complexo entendimento, por exemplo entre outras, a criatividade artística ou a sexualidade elevada (vide O Erotismo, de Georges Bataille, ou obras ligadas ao Tantrismo que podem ajudar a compreender melhor este aspecto). A espiritualidade é um meio para atingir algo, não um fim e si.
Posso citar um exemplo artístico que conheço, do qual sou fan absoluto, A sua música é de tal modo avassaladora, que é extremamente complexo ao ouvinte, tentar perceber – a música não se percebe, em minha opinião – o que está a acontecer: Cecil Taylor, pianista do Jazz. Toda a vida sofreu isolamento devido à sua música (e a ser negro nos EUA). No final do século passado no entanto, as instituições e os outros músicos reconheceram ainda em vida o génio, todavia ao público a sua música soa incompreensível ou quase. O divino é quase sempre incompreensível. Um concerto ao vivo deste pianista é por muitos vivenciado como algo diabólico, por outros, algo divino. Não conheço outro músico de Jazz que há meio século procure a fusão com o divino desta forma tão intensa e estranha, mas é desta massa que se faz Neptuno no seu melhor. Algo estranho, que não se percebe muito bem, que não é claro.
E por hoje chega de Peixes que o artigo já vai longo, isto é para ser uma coisa leve.
Obs*: Centro Budista Deuachen; http://www.meditar-em-lisboa.org/;
email: aprender@meditar-em-lisboa.org; podem solicitar a vossa inclusão na lista de correio, desse modo sendo avisados com antecedência das actividades do centro.
Em texto anterior, mencionei que o ser humano, em termos de evolução espiritual, se pode classificar em várias categorias, desde o consensual ao espiritual, passando pelo individualizado, cada um destes estados contendo categorias intermédias. A leitura desse artigo facilita a compreensão de tudo o que vier a escrever sobre astrologia. Não há moralismo envolvido ou façanha crítica arreganhada, apenas a constatação de que, provavelmente, coexistem seres humanos em níveis espirituais diferentes, em que alguns se sentem mais pressionados para o desenvolvimento e evolução e outros um pouco menos. De qualquer maneira, de acordo com a teoria proposta, a passagem e permanência nesses estados condiciona a forma de estar na vida e como os acontecimentos se desenrolam perante nós.
Começo pelo fim do Zodíaco, uma vez que o Psicótico nasceu em Peixes, que é o 12º e ultimo signo do Zodíaco, aliás coincidência feliz, dado que a confusão mental associada aos estados psicóticos é uma característica neptuniana, do regente de Peixes. A cada signo do Zodíaco está associada uma casa – são doze – e um ou vários regentes planetários. Associado á casa 12 e regido por Neptuno, Peixes faz parte do elemento Água, juntamente com Caranguejo (casa 4, regido por Lua) e Escorpião (casa 8, regido por Plutão). O elemento oposto e complementar é Terra, sendo a faculdade aérea (Ar) a menos desenvolvida neste elemento. Ao Ar está atribuída a função de cognição, de relacionamento mental, de intelecto. Á Água, a emoção, o sentimento, a sensibilidade psíquica. O conhecimento dos aspectos ligados aos elementos per si quase bastaria para caracterizar os signos. Um excelente livro que aborda a temática dos elementos é o de Liz Greene, Astrologia, Psicologia e os 4 elementos. Peixes é um signo feminino, como o são todos os de Água ou Terra, implicando que partilha de características yin, receptividade, passividade, contenção, acolhimento, sensibilidade, etc. Todo o ser humano é composto de yin ou yang independentemente de ser homem ou mulher. O segredo da convivência interior, parece ser justamente o resgate de cada uma das partes.
Tradicionalmente quando se fala do signo Peixes, fala-se do Sol nesse signo. A pessoa nasceu algures entre 20 de Fevereiro e 20 de Março. Isso é ter o Sol em Peixes, mas há outras características que podem definir o indivíduo como sendo pisciano. Cada influência planetária (o Sol não é um planeta, é um astro todavia emprega-se o termo planetário á falta de melhor termo) tem um significado específico. Podemos falar em indivíduos de fortes características piscianas quando de modo hierárquico temos: O Sol ou Lua ou o Ascendente em Peixes, o Sol na 12ª casa, quando o ascendente é Peixes, quando o Sol está em forte aspecto com Neptuno ou Neptuno de algum modo é proeminente no mapa natal. Todos os outros planetas poderão estar em Peixes, todavia não caracterizando tanto o indivíduo como sendo pisciano. Se tenho o Sol em Peixes e mais nenhum aspecto ligado com este signo ou Neptuno, posso dizer que uns 25% da minha personalidade são atribuídos ás qualidades do signo. Podemos dizer que um tema se confirma, á medida que vão sendo cada vez mais fortes as implicações desse tema no mapa natal. Se tenho 1) o Sol em Gémeos, 2) em aspecto com Neptuno, 3) na 12ª casa, estes 2 últimos aspectos fortalecem o tema Peixes, o núcleo da minha personalidade é fortemente pisciano, talvez metade Gémeos, metade Peixes, ainda que possa sofrer alguns conflitos internos devido a essa posição; Gémeos é Ar e está em quadratura -aspecto de tensão - com Peixes, os outros aspectos são ambos Àgua, elementos que não “casam” bem com Ar, sobretudo se o indivíduo ainda não integrou todos os elementos. A seguinte analogia personifica bem isso, quando o ar está muito frio, a água gela e forma uma crosta “protectora”. Assim são os caracteres aquáticos quando confrontados com “ares frios”. Se por outro lado tenho o Sol em Caranguejo, Lua em Escorpião e os mesmos aspectos do exemplo anterior, só dá Água, é melhor comprar uma banheira!
Este signo pode ser de tal modo ambivalente que podemos falar de místicos, dependentes, meditadores, alienados, santos, alcoólicos, loucos, médiuns, curadores, em todos o mesmo sentido comum, ainda que possivelmente inconsciente: a aspiração à união com o superior. Tão comum a um heroinómano que pretende ficar “alto”, a um consumidor de LSD que afirma estar próximo de Deus quando em trip, nestes, aspiração satisfeita pelas vias menos indicadas e potencialmente desperdiçantes. Nos grandes místicos e nos grandes meditadores, o enorme potencial que tem para estar sintonizados com a vibração básica do universo, a sincronização jungiana, talvez e que nos parece um aspecto crucial. Nos loucos, o isolamento forçado, a dessintonização total e alienante, mas também nestes a mesma aspiração, ainda que não satisfeita pelas vias normais, muitos afirmam falar com Deus. Nos seres mais elevados a sincronização total ou quase total em que tudo nas suas vidas tem um lugar próprio, nada é acaso, todos os momentos e acontecimentos são aproveitados independentemente do seu valor facial. Algo que me parece efectivo, é que nos indivíduos em estágios de desenvolvimento espiritual mais avançado, os termos bom ou mau não se aplicam. Existem na astrologia, aspectos harmónicos ou pressionantes que os vários planetas formam entre si no momento do nascimento (o mapa natal) ou que vão formando entre si ao longo da vida, dessa forma dando corpo ao projecto de si que a cada momento o indivíduo vai enfrentando ou não. Alguns desses aspectos só acontecem uma vez na vida, normalmente por um período de 2/3 anos pelo que seria essencial conhecê-los de modo a poder aproveitar todo o seu potencial transformador com o devido conhecimento de causa.
Peixes e Neptuno falam-nos da necessidade espiritual no indivíduo. Sendo o estágio final de todos os signos e dos signos de Água, representa o momento em que cada indivíduo aspira á elevação, provavelmente á passagem a um novo estágio de vida. Essa aspiração pode ser consciente ou inconsciente. A menos que o indivíduo já tenha feito um trabalho de conhecimento interior, dificilmente entende isto de bom grado.
Segundo a filosofia budista, a Iluminação é o momento em que o ser humano atinge o estágio final do seu desenvolvimento enquanto ser espiritual, o “clímax equivalente a mil orgasmos”, como descrito por Gueshe Kelsang Gyatso, lama da tradição budista Kadampa (* no final do texto existe contacto desta tradição em Lisboa, para quem estiver interessado em saber mais sobre o Budismo). Esse momento divino, só possível pela profunda entrega, humildade, compaixão, devoção, capacidade de isolamento e capacidade psíquica, ajuda a compreender como essas são características próprias de um nativo evoluído de Peixes. A espiritualidade é um assunto inerente ao ser humano, ainda que alguns se mantenham alheios e confusos. Alguma fonte dessa confusão parece ser a sobreposição espiritual-religioso, os termos não devem ser confundidos. A espiritualidade pode ser buscada/encontrada através da religião, tanto como através de outras formas, formas essas por vezes algo difusas ou de complexo entendimento, por exemplo entre outras, a criatividade artística ou a sexualidade elevada (vide O Erotismo, de Georges Bataille, ou obras ligadas ao Tantrismo que podem ajudar a compreender melhor este aspecto). A espiritualidade é um meio para atingir algo, não um fim e si.
Posso citar um exemplo artístico que conheço, do qual sou fan absoluto, A sua música é de tal modo avassaladora, que é extremamente complexo ao ouvinte, tentar perceber – a música não se percebe, em minha opinião – o que está a acontecer: Cecil Taylor, pianista do Jazz. Toda a vida sofreu isolamento devido à sua música (e a ser negro nos EUA). No final do século passado no entanto, as instituições e os outros músicos reconheceram ainda em vida o génio, todavia ao público a sua música soa incompreensível ou quase. O divino é quase sempre incompreensível. Um concerto ao vivo deste pianista é por muitos vivenciado como algo diabólico, por outros, algo divino. Não conheço outro músico de Jazz que há meio século procure a fusão com o divino desta forma tão intensa e estranha, mas é desta massa que se faz Neptuno no seu melhor. Algo estranho, que não se percebe muito bem, que não é claro.
E por hoje chega de Peixes que o artigo já vai longo, isto é para ser uma coisa leve.
Obs*: Centro Budista Deuachen; http://www.meditar-em-lisboa.org/;
email: aprender@meditar-em-lisboa.org; podem solicitar a vossa inclusão na lista de correio, desse modo sendo avisados com antecedência das actividades do centro.
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