março 06, 2005

Signo do mês – Peixes – Parte II

Vítor Rodrigues, no seu livro Passagens Interiores (obrigado Palmira) dá uma definição de espiritualidade na qual me revejo: “penso na espiritualidade como significando ao mesmo tempo, a busca de sentido profundo para o que somos, fazemos e vivemos e o cuidado amoroso com o que somos, fazemos e vivemos connosco mesmo e com os outros (nota: itálico do autor do livro)”. Ressalta a ideia de que a necessidade de elevação não tem que estar necessariamente entregue a terceiros, o que aliás se pode revelar perigoso e alienante, se considerarmos que muitas vezes esses terceiros defendem apenas os seus interesses e regras. A espiritualidade deve estar adequada ao nível de cada um. Muitas pessoas desinteressam-se porque vêem excesso de misticismo, objectivos pouco claros ou demasiado rígidos, dogmatismo. Sejamos claros, se pretendo ajudar o Outro, que o faça preservando os seus valores, e não impondo-lhe os meus. Esta é a minha posição, que considero aliás, não alienante do Outro e do seu direito ao crescimento segundo o seu ritmo. O desenvolvimento pessoal não é a mesma coisa que ir ao ginásio.

A cada signo corresponde um tema básico no puzzle. Todos temos Neptuno algures nos nossos mapas natais, a nossa casa 12 cai também nalgum signo do nosso mapa e Peixes também tem alguma casa lá. Desse modo as nossas necessidades para a evolução espiritual estão arreigadas a um ou vários desses pontos e podem ser sintetizadas em função dessas colocações. Para além disso, Neptuno continua a fazer aspectos pelos vários pontos natais (trânsitos) ao longo da vida influenciando desse modo o indivíduo.
Mas só os indivíduos de Peixes são espirituais? Em cada horóscopo se evidencia a forma como cada indivíduo pode chegar á espiritualidade. Isso pode ser visto através dos aspectos que Neptuno – todos tem Neptuno no mapa – faz com outros planetas, sobretudo os pessoais (Sol, Lua, Mercúrio, Vénus, Marte) mas também através da análise da casa 12 e do seu regente e respectivos aspectos desse regente com outros planetas. Como tal, esse acesso à espiritualidade, considero-o algo de profundamente pessoal, sobretudo à medida que a pessoa se vai individualizando (vide texto sobre as etapas de evolução espiritual), em que abandona progressivamente as soluções de “pacote” nas diversas áreas da sua vida, para adoptar práticas consentâneas com os seus anseios mais profundos e totalmente em sintonia com as suas necessidades e não com o que lhe foi ditado ou imposto pela família, cultura ou sociedade. Atenção que nem tudo é ditado ou imposto. A aparente tendência à individualização observada na sociedade actual, representa um passo em frente na rota evolucionária, todavia há muita gente confusa, na maior parte dos casos trata-se de isolamento ou fuga perante as circunstâncias e não de verdadeiro crescimento, a individuação não exclui o outro, antes pelo contrário, integra-o. A auto suficiência também pode ser uma fuga. O verdadeiro processo de individuação contém integração.

Peixes fala-nos portanto também da ânsia de elevação ou libertação que, se mal direccionada, conduz á auto prisão, ao isolamento. A individualização proposta por Peixes é de molde a abandonar as fronteiras do Ego, do Eu. É no momento da integração no mar, que a onda deixa de o ser para passar a ser algo infinitamente maior. Ao indivíduo dominado pelo ego, falta a visão para ser algo maior. O excessivo ênfase colocado no lado material, na matéria, ajuda a esta visão redutora. Peixes fala-nos também de indivíduos que se despojam ou desinteressam de ter ou de possuir o que quer que seja, seja dinheiro ou pessoas. Não significa que não tenham, ou que não saibam administrar ou seus bens ou posses. È a relação com eles que é diferente. Atitude não possessiva perante as coisas, é outra característica positiva deste signo. Se falarmos no indivíduo que está no estado inicial da sua evolução, todas estas ameaças são contudo reais, é alguém ávido, material, dependente das coisas e dos outros.

Peixes e as dependências. Falei em artigo interior nalguns caminhos menos claros para atingir algo: a elevação proporcionada pelas drogas (to get high, em inglês, ou ficar alto), o entorpecimento através do álcool. Há outras dependências, o sexo, a televisão, a Internet, as compras, o jogo, etc. Na Psicologia, fala-se em negação de sentimentos dolorosos. Isso é importante, porque de facto negamos muitas vezes esse tipo de sentimentos, no entanto creio que a questão do abuso de substâncias hoje em dia, vai bem além destas explicações, mas isso é outro assunto. O nativo de Peixes parece estar propenso a este tipo de situações, de algum modo sente-se insatisfeito com as respostas que o mundo lhe dá, sente-se desintegrado, qualquer pessoa que se sinta desta forma, pode incorrer em consumo de substâncias que causem dependência, mesmo não sendo de Peixes. Mas estes nativos parecem particularmente sensíveis a isso. Só o reconhecimento da necessidade de integração pode levar á união interior desejada e á paz de espírito. Para isso há que romper as barreiras do Ego, Peixes fala da dissolução do Ego em algo superior, muito superior. A astrologia não resolve esse problema, mas pode proporcionar indicações para a resolução.

Já falámos qualquer coisa acerca dos nativos do signo Peixes, muito mais haveria para dizer. Um mapa contém doze áreas, basicamente aqui no Psicótico falaremos apenas de duas, o Eu (casa 1) e o Outro, a relação, o nosso espelho (casa 7). Se acompanharem os outros signos contudo vão verificando que tudo está interligado. O próximo artigo falará sobre o Peixes no relacionamento. Não percam.