Tipos de relações: A co-dependência
Há semelhança dos vários estados de evolução espiritual expostos em texto anterior, podemos também classificar vários tipos de relações. Desta feita, estas já não são contudo classificáveis em termos de escala de evolução espiritual. Qualquer indivíduo pode estar em qualquer tipo de relacionamento, independentemente do seu estado espiritual, no entanto é de crer que na medida da sua evolução, se vá aproximando cada vez mais de um relacionamento de iguais para iguais.
O relacionamento amoroso parece ser presentemente a maior fonte de sofrimento interior do homem moderno, talvez mais até que a doença. É lícito afirmar que necessitamos de amor para viver, qual combustível que nos move e nos impele para a vida. Mas esse combustível existe em várias formas, sexo, carinho, atitude calorosa, compaixão e algo até indefinível que não sabemos bem o que é mas sabemos que existe e que pode ser ou não uma mistura de tudo isto. O amor parece ser a poção mágica do universo para a qual não foi ainda encontrada fórmula.
Nalgumas teorias psicológicas, o amor incondicional parece ser aquele que melhores condições proporciona ao ser humano em desenvolvimento. Uma criança espera ser acarinhada, aceite como é, de forma empática e calorosa. Quando isso não acontece, o mecanismo de gravação das emoções associado ao inconsciente “distorce” o acontecimento (que pode ser uma matriz de relação) de modo que ele não é vivenciado e assimilado de forma correcta. Um pequeno exemplo, se eu necessito de ser aceite com sou, pela minha personalidade em formação, e pelas pessoas que são significativas para mim na infância (pai, mãe, ou quem faz esse papel) e isso de algum modo não acontece, aparentemente vou ficar com essa questão por resolver. Digamos que é uma dinâmica emocional não resolvida que carregarei pela vida fora, tentando resolver essa questão. Como? Em primeiro lugar, procurando um parceiro que de modo semelhante ao modelo paternal me negue determinadas questões, ou digamos um parceiro “condicional”. A minha expectativa “inconsciente”, como aliás a escolha do parceiro já o foi, é a de que finalmente eu consiga ultrapassar essa dinâmica de condicionalidade. Pode acontecer também que a pessoa procure exactamente o oposto, mas o problema é o mesmo, a dependência de um modelo paternal, quer seja idêntico ou contrário. A percepção desta dinâmica “distorcida” é o primeiro passo na libertação deste modelo idêntico ou oposto ao que se viveu.
Esta questão observa-se inúmeras vezes, em homens e mulheres que não só procuram o mesmo tipo de parceiros pela vida fora, como as suas relações parecem destinadas ao fracasso enquanto não percebem o molde de que derivam. Num outro plano, quando encontram alguém que lhes proporciona maior abertura e amor incondicional, quase de imediato rejeitam esse parceiro, pois que não corresponde ao molde que inconscientemente desejam ultrapassar. Diria que em 95% de todas as relações que se formam, esta dinâmica está presente e de modo gravoso, inconsciente. O indivíduo parece trazer (através de um mecanismo de projecção) para a vida adulta as dinâmicas emocionais não resolvidas da infância, de modo que atrairá ou sentir-se-á atraído por parceiros que de algum modo espelhem essa dinâmica não resolvida. No mapa natal existem quase sempre indicações claras de que existe propensão a esta questão. Mas tal nem seria necessário, a maior parte de nós, nasceu na condicionalidade, no julgamento, na crítica, na não aceitação, pelo que quase todos carregamos isso para as relações adultas que formamos. É reconhecendo este mecanismo que se dá o primeiro passo frente ao que foi imposto. A responsabilização pelo seu próprio estado ao invés de atribuição de culpas a si, aos outros ou à divindade, é o segundo momento. As coisas não têm que permanecer como estão.
A relação de co-dependência é a relação mais comum de todas. Ambas as partes estão dependentes uma da outra, ao ponto de o parceiro ser a coluna principal da vida do outro. O mecanismo de projecção das necessidades é aqui muito forte, o Outro tem a obrigação de permanentemente atender às nossas necessidades e problemas, sejam elas quais forem. Aqui já estamos numa situação de desequilíbrio porque a pessoa se encontra incapaz de fazer frente às situações por si, essa parte é tarefa do Outro. Como se pode depreender um adulto autónomo não deveria depender de ninguém, a nível físico ou psicológico para a satisfação das suas necessidades, desde as básicas até ás mais complexas, em última análise depende de si próprio. Ao permanecer na dependência acentua o estado infantil, pois é nessa altura que estamos indefesos e que de facto necessitamos de quem cuide de nós. Este tipo de relacionamento tem como consequência o atraso na maturidade, conduzindo à inaptidão, ao sofrimento, à dependência.
A projecção funciona porque somos incapazes de ver para dentro, nesse caso projectamos para fora. As realidades interiores projectadas podem ser vistas através de exemplos simples: decido terminar uma relação, quantas vezes eu próprio acerto nos motivos pelos quais terminei? Frequentemente oiço a mesma resposta, “sei perfeitamente porque é que terminei aquela relação”. Na grande maioria começamos a relação porque cremos (inconscientemente) que o Outro tem determinadas coisas que achamos fundamentais, E QUE NÓS NÃO TEMOS. Pois bem, a relação termina quando vejo (inconscientemente) que me enganei e o Outro não tem cultura, postura, inteligência, emoção, dinamismo, etc. Até que ponto creio que as tenho em mim? Se acho que o Outro não as tem e se decido acabar com ele, é porque me fazem falta, ele não mas pode dar, nesse caso estou a projectar as minhas necessidades no Outro, se ele não as tem, vou procurar noutra pessoa. Assim vou eternamente procurar alguém que me satisfaça as minhas necessidades, de modo egoísta e sobretudo utilitário o Outro serve-me na medida em que me dá algo de que necessito. Mas porque não fazê-lo eu? Haverá alguém assim tão perfeito que me possa dar tudo o que eu quero? Será que isso tem que ser dessa forma, o Outro tem mesmo que me dar tudo o que preciso? Isto já é sintoma de uma relação dependente, eu estou dependente do Outro para ter o que quero. Se continuamente espero que o outro satisfaça as minhas expectativas, estão criadas as condições para o amor condicional, “eu só te amo se…”. À medida que isto se acentua cada parte envolvida neste relacionamento vai perdendo de vista a sua individualidade, o seu crescimento, perdem-se atributos naturais e necessários para o crescimento e o desenvolvimento pessoal dentro da relação. Devido à estagnação gerada por este molde de vida, mais tarde ou mais cedo alguém rebentará pelas costuras, e a relação acaba. Em vários momentos das nossas vidas, o alinhamento planetário “obriga” a passos evolucionários, são os chamados trânsitos. A natureza não pára, ainda que queiramos acreditar que nada muda, tudo muda a cada momento. O conhecimento desses períodos pressionantes poderia fazer com que muitas vezes evitássemos erros dos quais nos vimos a arrepender, mas que muitas vezes, sobretudo por orgulho, não queremos admitir ou voltar atrás. No aspecto relacional isto também é verdadeiro, mas isso implicaria que ambas as partes estariam dispostas a aceitar o crescimento, infelizmente isso quase nunca acontece.
No relacionamento co-dependente, aquele que fica só, sente que a vida lhe desaba debaixo dos pés, que ficou sem suporte, perde a vontade viver, que nunca mais vai encontrar alguém igual, que não pode viver sem essa pessoa, etc., e todas as outras situações que a maior parte de vocês já conhece. Permanecer neste estado obscuro, trágico e potencialmente perigoso, é sem dúvida uma decisão individual. É necessário compreender que isso acontece para nos trazer uma lição fundamental, a de que somos sempre os responsáveis pelo nosso crescimento e desenvolvimento, e que deixar essa parte entregue aos nossos parceiros, é abdicar de o fazermos pelos nossos próprios meios, minando a nossa próprio evolução. Outra possibilidade pode ser a de que conhecendo-nos melhor a nós mesmos, consigamos perceber porque nos encontramos ligados a alguém, percebendo o modelo relacional que “herdámos” da infância, o modelo que nos condicionou, e que, mais que culpar terceiros, há que assumir a responsabilidade de continuar a viver, lutando por uma vida mais plena e integrada, que possa também conduzir a relacionamentos mais saudáveis e amorosos.
O relacionamento amoroso parece ser presentemente a maior fonte de sofrimento interior do homem moderno, talvez mais até que a doença. É lícito afirmar que necessitamos de amor para viver, qual combustível que nos move e nos impele para a vida. Mas esse combustível existe em várias formas, sexo, carinho, atitude calorosa, compaixão e algo até indefinível que não sabemos bem o que é mas sabemos que existe e que pode ser ou não uma mistura de tudo isto. O amor parece ser a poção mágica do universo para a qual não foi ainda encontrada fórmula.
Nalgumas teorias psicológicas, o amor incondicional parece ser aquele que melhores condições proporciona ao ser humano em desenvolvimento. Uma criança espera ser acarinhada, aceite como é, de forma empática e calorosa. Quando isso não acontece, o mecanismo de gravação das emoções associado ao inconsciente “distorce” o acontecimento (que pode ser uma matriz de relação) de modo que ele não é vivenciado e assimilado de forma correcta. Um pequeno exemplo, se eu necessito de ser aceite com sou, pela minha personalidade em formação, e pelas pessoas que são significativas para mim na infância (pai, mãe, ou quem faz esse papel) e isso de algum modo não acontece, aparentemente vou ficar com essa questão por resolver. Digamos que é uma dinâmica emocional não resolvida que carregarei pela vida fora, tentando resolver essa questão. Como? Em primeiro lugar, procurando um parceiro que de modo semelhante ao modelo paternal me negue determinadas questões, ou digamos um parceiro “condicional”. A minha expectativa “inconsciente”, como aliás a escolha do parceiro já o foi, é a de que finalmente eu consiga ultrapassar essa dinâmica de condicionalidade. Pode acontecer também que a pessoa procure exactamente o oposto, mas o problema é o mesmo, a dependência de um modelo paternal, quer seja idêntico ou contrário. A percepção desta dinâmica “distorcida” é o primeiro passo na libertação deste modelo idêntico ou oposto ao que se viveu.
Esta questão observa-se inúmeras vezes, em homens e mulheres que não só procuram o mesmo tipo de parceiros pela vida fora, como as suas relações parecem destinadas ao fracasso enquanto não percebem o molde de que derivam. Num outro plano, quando encontram alguém que lhes proporciona maior abertura e amor incondicional, quase de imediato rejeitam esse parceiro, pois que não corresponde ao molde que inconscientemente desejam ultrapassar. Diria que em 95% de todas as relações que se formam, esta dinâmica está presente e de modo gravoso, inconsciente. O indivíduo parece trazer (através de um mecanismo de projecção) para a vida adulta as dinâmicas emocionais não resolvidas da infância, de modo que atrairá ou sentir-se-á atraído por parceiros que de algum modo espelhem essa dinâmica não resolvida. No mapa natal existem quase sempre indicações claras de que existe propensão a esta questão. Mas tal nem seria necessário, a maior parte de nós, nasceu na condicionalidade, no julgamento, na crítica, na não aceitação, pelo que quase todos carregamos isso para as relações adultas que formamos. É reconhecendo este mecanismo que se dá o primeiro passo frente ao que foi imposto. A responsabilização pelo seu próprio estado ao invés de atribuição de culpas a si, aos outros ou à divindade, é o segundo momento. As coisas não têm que permanecer como estão.
A relação de co-dependência é a relação mais comum de todas. Ambas as partes estão dependentes uma da outra, ao ponto de o parceiro ser a coluna principal da vida do outro. O mecanismo de projecção das necessidades é aqui muito forte, o Outro tem a obrigação de permanentemente atender às nossas necessidades e problemas, sejam elas quais forem. Aqui já estamos numa situação de desequilíbrio porque a pessoa se encontra incapaz de fazer frente às situações por si, essa parte é tarefa do Outro. Como se pode depreender um adulto autónomo não deveria depender de ninguém, a nível físico ou psicológico para a satisfação das suas necessidades, desde as básicas até ás mais complexas, em última análise depende de si próprio. Ao permanecer na dependência acentua o estado infantil, pois é nessa altura que estamos indefesos e que de facto necessitamos de quem cuide de nós. Este tipo de relacionamento tem como consequência o atraso na maturidade, conduzindo à inaptidão, ao sofrimento, à dependência.
A projecção funciona porque somos incapazes de ver para dentro, nesse caso projectamos para fora. As realidades interiores projectadas podem ser vistas através de exemplos simples: decido terminar uma relação, quantas vezes eu próprio acerto nos motivos pelos quais terminei? Frequentemente oiço a mesma resposta, “sei perfeitamente porque é que terminei aquela relação”. Na grande maioria começamos a relação porque cremos (inconscientemente) que o Outro tem determinadas coisas que achamos fundamentais, E QUE NÓS NÃO TEMOS. Pois bem, a relação termina quando vejo (inconscientemente) que me enganei e o Outro não tem cultura, postura, inteligência, emoção, dinamismo, etc. Até que ponto creio que as tenho em mim? Se acho que o Outro não as tem e se decido acabar com ele, é porque me fazem falta, ele não mas pode dar, nesse caso estou a projectar as minhas necessidades no Outro, se ele não as tem, vou procurar noutra pessoa. Assim vou eternamente procurar alguém que me satisfaça as minhas necessidades, de modo egoísta e sobretudo utilitário o Outro serve-me na medida em que me dá algo de que necessito. Mas porque não fazê-lo eu? Haverá alguém assim tão perfeito que me possa dar tudo o que eu quero? Será que isso tem que ser dessa forma, o Outro tem mesmo que me dar tudo o que preciso? Isto já é sintoma de uma relação dependente, eu estou dependente do Outro para ter o que quero. Se continuamente espero que o outro satisfaça as minhas expectativas, estão criadas as condições para o amor condicional, “eu só te amo se…”. À medida que isto se acentua cada parte envolvida neste relacionamento vai perdendo de vista a sua individualidade, o seu crescimento, perdem-se atributos naturais e necessários para o crescimento e o desenvolvimento pessoal dentro da relação. Devido à estagnação gerada por este molde de vida, mais tarde ou mais cedo alguém rebentará pelas costuras, e a relação acaba. Em vários momentos das nossas vidas, o alinhamento planetário “obriga” a passos evolucionários, são os chamados trânsitos. A natureza não pára, ainda que queiramos acreditar que nada muda, tudo muda a cada momento. O conhecimento desses períodos pressionantes poderia fazer com que muitas vezes evitássemos erros dos quais nos vimos a arrepender, mas que muitas vezes, sobretudo por orgulho, não queremos admitir ou voltar atrás. No aspecto relacional isto também é verdadeiro, mas isso implicaria que ambas as partes estariam dispostas a aceitar o crescimento, infelizmente isso quase nunca acontece.
No relacionamento co-dependente, aquele que fica só, sente que a vida lhe desaba debaixo dos pés, que ficou sem suporte, perde a vontade viver, que nunca mais vai encontrar alguém igual, que não pode viver sem essa pessoa, etc., e todas as outras situações que a maior parte de vocês já conhece. Permanecer neste estado obscuro, trágico e potencialmente perigoso, é sem dúvida uma decisão individual. É necessário compreender que isso acontece para nos trazer uma lição fundamental, a de que somos sempre os responsáveis pelo nosso crescimento e desenvolvimento, e que deixar essa parte entregue aos nossos parceiros, é abdicar de o fazermos pelos nossos próprios meios, minando a nossa próprio evolução. Outra possibilidade pode ser a de que conhecendo-nos melhor a nós mesmos, consigamos perceber porque nos encontramos ligados a alguém, percebendo o modelo relacional que “herdámos” da infância, o modelo que nos condicionou, e que, mais que culpar terceiros, há que assumir a responsabilidade de continuar a viver, lutando por uma vida mais plena e integrada, que possa também conduzir a relacionamentos mais saudáveis e amorosos.
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