abril 12, 2005

Carneiro e relacionamentos I

Carneiro, como vimos anteriormente, é regido por Marte, os relacionamentos (casa 7) e Balança, o seu signo oposto, são regidos por Vénus, “os homens são de Marte, as mulheres são de Vénus”, já devem ter ouvido isto em qualquer lado. Vivemos num momento maioritariamente racionalista e cartesiano, a necessidade de divisões claras parece conferir alguma segurança às crenças e aos valores, no entanto isso é algo que parece inato às aspirações de ser humano, querer sentir-se seguro daquilo que se valoriza e daquilo em que acredita. Experimentem entrar num círculo político, religioso ou outro e tentem “abanar” com provas, as crenças e os valores desses indivíduos, o que terão? Revolta, indignação, desprezo, inimizade, fanatismo, violência.

No que diz respeito ao relacionamento amoroso, a expectativa quanto a papéis a desempenhar por cada um dos sexos ainda determina a relação do casal. O homem tem um papel mais marciano, a mulher ainda é mais venusiana, provavelmente nas grandes cidades, onde o anonimato está mais garantido, onde os papeis sociais se podem diluir mais, esses papeis vão perdendo alguma importância, mas nem se invertem totalmente nem na maioria dos casos, há uma opção consciente pelo cultivo de ambos os planetas, como factor de desenvolvimento pessoal.

Todos temos no mapa, Marte e Vénus em algum lugar, nos mapas femininos Vénus aparece “claramente” no mapa enquanto nos masculinos, é Marte que se faz notar, mas, imensas vezes o signo oposto quase não dá sinais de vida. Li algures, que os planetas, sobretudo os pessoais (de Sol a Marte) são como “actores principais” de uma peça, estão sempre à espera de brilhar, o que é que acontece quando um dos actores não tem essa oportunidade? Geralmente pode acontecer o seguinte, nas mulheres, a vivência de Marte far-se-á através da projecção na escolha do homem, se tem Marte em Sagitário, vai procurar um homem com características sagitarianas (não necessariamente de Sagitário) ou jupiterianas, sábio, filosófico, bem disposto, aventureiro, etc., o mesmo acontecendo com Vénus no mapa do homem, que procurará vivenciar aquele padrão energético através da mulher que escolhe. Provavelmente isto tem uma função, nada no todo que é o ser humano existe ao acaso, isso já ajuda a explicar de que modo as pessoas se escolhem umas às outras e sobretudo porque permanecem juntas, ou seja, a escolha é feita também por critérios de se escolher aquilo que se não tem, ou que se pensa não ter. Este não é o único critério de escolha, no mapa existem mais dois pelo menos, mas verifica-se correcto em muitas das escolhas de parceria.

Esta informação torna-se particularmente importante para quem se encontra só, ié, sem estar envolvido em nenhum relacionamento. Nem sempre a escolha de estar só é algo voluntário, muitas pessoas não querem de facto estar sós, esta questão está presente em todos os consultórios de relação de ajuda, queremos saber se nos podemos relacionar e com quem. Surge muita “desinformação” que por vezes atrapalha mais do que ajuda, “já foi seu marido na vida passada”, “vai voltar para si”, são respostas que os profissionais dão, a quem por vezes não faz a pergunta de forma correcta. Uma das hipóteses que se põe a quem está só, é a de poder desenvolver em si um padrão de relação interior entre energias que aparentemente só existem no exterior. O mapa natal, proporcionando o conhecimento destas posições planetárias, fornece uma indicação útil de desenvolvimento pessoal, através da exploração das qualidades energéticas latentes do planeta “actor principal” que ainda não teve oportunidade de se mostrar. Se é Marte em Sagitário no mapa feminino, é possível arriscar um pouco mais e resgatar essas qualidades em si, porque essas energias estão lá, a semente para poder agir segundo aquele padrão está lá, e sobretudo esse padrão “adormecido” também quer ver a luz do dia, caso contrário poderá acusar raiva, agressividade, ressentimento, tudo problemas que também derivam da não correcta expressão marciana. Essa exploração tem como consequência um resgate de todos os temas do mapa natal, uma maior integração dos mesmos no todo, obviamente isso trás alguns desafios para algumas pessoas, imagine-se uma mulher cujo Sol é Caranguejo, Lua em Virgem, quiçá “educada” para ser boa mãe, esposa, subserviente, como é que fica com Marte em Sagitário?

Existem sempre formas de solucionar criativamente uma questão, toda a trama natal se trata de integração, esforço, criatividade, recriação de si próprio, embora algumas pessoas entreguem essa tarefa a entidades religiosas, militares, políticas, que o fazem por si, nem todas o deveriam fazer, pois nem todas estão destinadas a buscar uma identidade pessoal através do colectivo, isso pode não ser o que mais faz sentido para as suas necessidades de evolução.

O que está em jogo é perceber que existe a possibilidade de “alargar” o âmbito da nossa pessoa para um raio de acção maior que aquele que julgávamos possível, através da experienciação das qualidades expressas por Vénus (nos homens) e por Marte (nas mulheres), que nos pode conduzir a uma sensação de maior integração e aceitação das nossas várias facetas, e também pela maneira como nos relacionamos com os outros. Aparentemente isto contém uma ameaça, essa experiência pode-nos conduzir a um estado de equilíbrio, de nos sentirmos tão completos a pontos de “dispensar” o Outro nas nossas vidas, no entanto isso conduz a um novo desafio, agora que nos sentimos dessa forma, quem vamos escolher para estar connosco? Que tipo de pessoas iremos atrair ou sentir-nos atraídos por?

Esta introdução ao tema de Carneiro e os relacionamentos, fez sentido porque estamos a falar de Marte, de como esse planeta oferece possibilidades às mulheres que podem ter Marte em Carneiro. E se tiverem o Sol ou Vénus em Carneiro? Já falei em texto anterior, da problemática que o signo de Carneiro representa para determinados posicionamentos planetários no mapa feminino. As energias de Carneiro são essencialmente “masculinas”, determinando que posicionamentos de Lua e Vénus nesse signo, energias essas que são mais “femininas”, possam estar numa posição pouco confortável. Se adicionarmos o facto de que Lua e Vénus representam um componente essencial da forma como a mulher se vê a si própria (tal como o Sol e Marte no homem) isso poderá ditar que a mulher se “vê” de modo algo masculino, algo que muitas vezes para si pode não fazer sentido, sobretudo se outros padrões energéticos do mapa estão em desacordo, se o ambiente em que cresceu “distorce” ou reprime ainda mais esses factores. O problema não reside propriamente no facto de que a mulher seja mais masculina na forma de expressar as suas necessidades de segurança e emocionais (Lua) e amorosas (Vénus), a questão é que por vezes isso não é bem visto ou não é bem aceite pela sociedade ou pelos homens com quem se escolhe relacionar, podendo conduzir a tentativas de repressão, supressão, distorção ou compensação dessas partes da personalidade e dessas necessidades, de maneira a que se sinta aceite pela sociedade e nos relacionamentos.

No entanto, um determinado posicionamento natal nunca é um problema, nem o mapa nem Deus (para quem acredita) tem “culpas no cartório”, o problema em si está na maneira como resolvemos a questão de aceitar e integrar, e sobretudo, se somos capazes de o fazer acima dos ditames dos relacionamentos sociais, da cultura e da sociedade. Trata-se de tomarmos responsabilidade pela nossa própria forma de expressão, mais que culpabilizar ou amaldiçoar o Universo por esses factores.

Podem certamente imaginar o sofrimento que algumas mulheres de alguns países passam devido ao facto de não poderem expressar determinados padrões energéticos, porque lhes estão culturalmente vedados, e certamente imaginam a tremenda energia que é necessária para compensar, reprimir e distorcer essas necessidades. Basta transpor para o nosso caso e perceber que toda a distorção, repressão, compensação envolve muito mais perda, do que a tentativa de expressar de modo adequado as suas próprias necessidades. Essa perda observa-se sob a forma da doença mental, a neurose, a psicose, a obsessão, a compulsão, masoquismo, sadismo, sob a forma de crenças erradas, fanatismo, soba forma de valores e motivações que podem não servir ao propósito evolucionário daquela pessoa.

Naturalmente isto apenas serve para ilustrar o perigo potencial da falta de expressão de determinado tipo de energias, não servindo de forma alguma como exemplo para os posicionamentos de Vénus e Lua em Carneiro. Falo aqui disto que parece mais uma questão pessoal do que relacional, todavia o modo como nos vemos a nós próprios (casa 1) vai influenciar o modo como nos relacionamos com os outros (casa 7) e de facto a Lua e Vénus em Carneiro, no mapa feminino, tem muito que ver com a maneira como a mulher se vê, pelo que influencia a forma como ela se vai relacionar. Algo de análogo já não pode ser dito por exemplo pelo posicionamento de Marte e do Sol em Balança no homem, embora seja um signo regido por Vénus, é um signo de energias “masculinas”, embora não tanto como Carneiro, pelo que Marte não parece tão ameaçado na sua forma de expressão, como Vénus em Carneiro por exemplo. Por outro lado podemos visualizar a Vénus em Carneiro num mapa masculino e verificar que isso determina mais o modo como o homem vê e aprecia as qualidades amorosas numa mulher, pelo que isso é menos um problema num mapa masculino do que no feminino, no entanto digamos que se o homem se encontra num estado de baixo desenvolvimento e que tem uma ideia muito básica acerca do relacionamento, aí, esse posicionamento já lhe trará problemas pois se inconscientemente se sente atraído por mulheres mais “masculinas” a sua “capa” cultural e educacional são contrárias às suas motivações mais profundas, podendo ditar uma inconsistência relacional, incapacidade e problemas de vária ordem no relacionamento.

Na 2ª parte aprofundaremos um pouco mais esta temática, afunilando um pouco mais o tema para o signo de Carneiro propriamente dito, dado que neste artigo andámos transversalmente por questões associadas a Marte e Vénus, mas como também tenho vindo a dizer, tudo está relacionado com tudo, e para podermos simplificar, por vezes temos que ir à raiz da complexidade.