Deepak Chopra em Portugal – Parte III
#8 Não verei o mal (evil) como meu inimigo, ao compreender as minhas próprias sombras, ultrapassarei o mal e transformá-lo-ei.
Carl Jung afirma que temos um Self Sombra (shadow self) e as tradições antigas também nos dizem que a Alma é feita de ambiguidade, Freud afirmou que “as neuroses proviriam da incapacidade em tolerar a ambiguidade, em tolerar a sombra”, em pensar que tudo seria a preto e branco, mas a alma humana não é assim, tem muitas nuances, divinas e diabólicas, sagradas e profanas, porque todas as experiências que atravessamos vem da criação de energias opostas. Há uma expressão que diz que “o santo e o pecador estão meramente a trocar notas, o santo tem um passado e o pecador tem um futuro :-)”, “aquele que não tem pecado em si, que atire a primeira pedra”, portanto todos temos uma sombra, que tentamos esconder, que se manifesta através da repressão, da falta de responsabilidade pelos próprios actos, pela pobre auto e hetero-liderança. O mal (evil) é uma projecção manifestada da sombra colectiva, da repressão colectiva, ao trazer luz às nossas próprias sombras, trazemos luz ao mundo. Dalai Lama afirma que não há mal per si, existem apenas maus comportamentos que aparecem perante determinadas situações.
Comentários: Este compromisso contém indicações preciosas acerca da natureza humana. A tentativa de sermos seres humanos bons está intimamente ancorada na capacidade para reconhecermos que não somos perfeitos. Toda a medalha tem um reverso, e o desespero provém muitas vezes da incapacidade em o aceitar.
#9 Eu explorarei a minha natureza multidimensional, as manifestações subtis e causais do meu ser
De acordo com a sabedoria védica, cada estado de consciência cria a sua própria realidade, há vários tipos de consciência, a) a consciência acordada, reagimos ao que acontece, ouvimos um ruído e viramo-nos para ver o que é b) depois há a consciência de sonho, neste estado, temos uma determinada experiência, tudo o que aconteceu no sonho, foram projecções da nossa consciência, somos o observador e tudo aquilo que observamos, fui eu que criei tudo aquilo, ambos o cenário e aquele que o observa, são projecções da minha consciência. Ao compreender isso, posso ter a habilidade de criar a minha própria versão c) consciência para além do tempo, espaço e causalidade, aquela que nos ancora à sabedoria da alma d) consciência cósmica, tu como espírito observas o teu corpo a dormir, é a tua consciência sempre presente (ever present witnessing awareness), é perceber que eu sou mais que os papéis que represento e) consciência divina, que é ter a experiência da sempre presente consciência observadora nos objectos de percepção. Se eu olhar para esta planta, eu verei que ela também é água, vento, terra e espaço vazio, se for para além disso, sinto a presença do espírito e comungo com isso, em cada objecto vejo a verdade que é a verdadeira natureza das coisas. Nesta consciência, Deus não só não é difícil de encontrar, Deus é impossível de evitar, pois não há sitio onde se vá, onde não se encontre a sua manifestação. Num último tipo de consciência, a sempre presente consciência observadora, é simultaneamente sujeito e objecto da experiência, ambas se fundem e tornam-se unas, todo o universo se transforma numa única consciência e essa consciência única está disponível a cada um de nós, nas profundezas do nosso próprio ser, através da transformação do Self Pessoal em Self Colectivo, e do Colectivo em Universal. Desse modo podemos ver como o Universo nos contém e é ao mesmo tempo, uma projecção do nosso próprio self. Explorar estas dimensões, é ultrapassar o medo da morte, porque existem mundos infinitos dentro da nossa consciência.
Comentário: Neste como noutros pontos, Deepak apela à meditação em níveis cada vez mais profundos.
#10 Vou explorar cada morte, como um salto quântico criativo (creativ quantum leap) na evolução
No início desta conversa mencionei o termo Descontinuidade, como tudo sendo uma sucessão extremamente rápida de ON/OFF, todo o Universo está em ON/OFF, fotões, átomos, moléculas, células, etc., o Universo está-se a recriar através desse movimento ON/OFF, o ON é o mundo, o OFF é a morte, sem um não há o outro, o que torna este movimento no princípio fundamental do Universo, a morte torna a vida possível e vice-versa. As células do estômago morrem a cada 5 dias, permanecemos saudáveis porque há morte dentro de nós. A criança tem que morrer para que o adolescente emerja, o adolescente tem que morrer para que o adulto emerja, o adulto tem que morrer para que o idoso emerja, o idoso tem que morrer, para que nós possamos de novo rever o Universo com um olhar fresco e rejuvenescido. O Universo recria-se a si próprio através deste processo de morte, e nós somos apenas cópias do Universo. Ao nível prático, passa por deixar ir o conhecido e saltar para o desconhecido, aceitemos a morte do passado, nem o passado nem o futuro são a realidade, estão ambos na imaginação, e portanto se conseguirmos manter a nossa atenção no momento presente, então seremos capazes de perceber a presença de Deus.
Comentário: Este é outro dos compromisso “difíceis”, a nossa mente está agarrada ao que vê, é quase impossível não pensar na morte sem temor e não exclusivamente ao nível físico, a morte das relações que pode representar um novo momento de criatividade, de livre auto e hetero descoberta, representa na mais das vezes apenas sofrimento e prisão. Compreender a morte como um processo fundamental é estar permanentemente aberto à vida, cada momento presente é a morte e a abertura à vida em simultâneo.
#11 Eu compreenderei que o Universo pensa através de mim.
Quando eu olho, o Universo está a olhar para si próprio através destes olhos. Aquele que olha através dos meus olhos, é também aquele que olha através dos teus olhos.
#12 Eu cuidarei de estar centrado e atento no momento presente.
A minha atenção estará naquilo que é o momento e verei toda a sua imensidão a todo o momento. Nessa atenção, sentirei a presença de Deus e abraçá-lo-ei.
#13 Serei livre quando compreender que não sou uma pessoa
Teilhard de Chardin afirmou que “nós não somos seres físicos que temos uma experiência espiritual ocasional, nós somos seres espirituais que temos uma experiência física ocasional”. Alterar e mudar a nossa atenção de sermos um corpo físico para um espírito que habita um corpo, é ser livre e tentar compreender todo o significado oculto por detrás os eventos significativos que nos aparecem sincronizadamente, como coincidências. Desse modo, penetramos na simultaneidade e na mente não local, na mente sincronistica, onde tudo é orquestrado ao mesmo tempo.
Comentário: Na prática budista, só atinge a Iluminação aquele que realiza a sabedoria da vacuidade, uma das mentes virtuosas do Bodhisatva. O eu não tem existência inerente, é apenas um conjunto de agregados. È algo difícil de entender, até intelectualmente, mas vale a pena tentar…
#14 Eu verei o significado oculto de todos os eventos significativos na minha vida.
Nunca ignorem uma coincidência, sempre que acontece, questionem-se sobre o que quer dizer. Sempre que se questionarem sobre o significado disso, aparecerão eventos, situações, pessoas que vos darão a oportunidade de participarem na evolução criativa do Universo.
#15 Descobrirei quem sou, donde vim e qual é o meu propósito
Um poeta indiano disse “cada criança que nasce, é um sinal de que Deus ainda não desistiu de nós”. Continuem a fazer perguntas como uma criança…
Gostaria de terminar com um assunto que me parece importante. Apesar de todas as descobertas, de todo o conhecimento, continuamos a olhar á nossa volta e a ver um mundo caótico em que os 4 grandes assuntos do nosso tempo são 1) resolução de conflitos através da violência, guerra, terrorismo 2) extrema tirania e injustiça social 3) extrema disparidade económica, 50% do mundo vive com menos de 2 dólares por dia e desses, 20% com menos de um dólar, 4) devastação ecológica e do ecossistema. Os cientistas sociais afirmam que todos estes eventos estão inextrincavelmente ligados. Não haverá paz enquanto houver desigualdade económica, não haverá saúde enquanto houver desastre ecológico, somos violentos porque não somos saudáveis. Se tudo está ligado com tudo, a única solução para o problema global é uma mudança na consciência colectiva. E quando olhamos para os enormes saltos criativos do Universo, há sempre caos, a biologia evolucionária reconheceu que ocorreram alguns saltos evolucionários, que são realmente saltos quânticos na criatividade de o Universo. Não existiu uma transição entre os anfíbios e os voadores, houve um salto, não há uma transição directa entre os primatas e os humanos, há um salto quântico criativo ao nível da consciência do Universo. Muitos cientistas evolucionários acreditam, que a humanidade tem neste momento massa crítica para um novo salto evolucionário.
Na biologia há um processo conhecido como metamorfose, a lagarta que se transforma em borboleta. Eis o que se segue de uma perspectiva biológica: a um certo nível do seu desenvolvimento, a lagarta que tem um metabolismo muito lento, começa a consumir tudo aquilo que o seu metabolismo necessita, quando o consumo excede as necessidades metabólicas, o corpo da lagarta começa a morrer, a liquefazer-se. Nesse corpo existem algumas células (imaginal cells) que tem imaginação, que sonham, e quando as células imunitárias olham para estas células dizem “estas não pertencem aqui, vamos atacá-las”, mas como as imaginal cells vibram numa frequência diferente, as outras não as conseguem combater, e estas ficam imunes começando a juntar-se em pequenos clusters, e a fazerem conexões umas com as outras. Começam então a utilizar o corpo decadente da lagarta como uma sopa nutriente, e um dia, a conectividade dos clusters das imaginal cells chega a um limiar criativo, e então, um código genético que até ai estava adormecido, acorda, e nesse gene está a informação para uma nova criatura, totalmente nova, com um metabolismo totalmente diferente. Num dia, todo o código genético explode e a borboleta nasce. Estou-vos a dizer isto porque acredito que nesta sala, somos um cluster de células imaginárias, não estamos cá acidentalmente, porque sonhamos com um novo salto na nossa existência, e cita Raul Seixas, poeta brasileiro “o sonho que sonhei sozinho, é só um sonho, mas o sonho que sonhamos juntos, tornar-se-á realidade”. Por favor continuem a sonhar…
E poderia ter citado António Gedeão e a Pedra Filosofal… O sonho comanda a vida… Obrigado Deepak.
Carl Jung afirma que temos um Self Sombra (shadow self) e as tradições antigas também nos dizem que a Alma é feita de ambiguidade, Freud afirmou que “as neuroses proviriam da incapacidade em tolerar a ambiguidade, em tolerar a sombra”, em pensar que tudo seria a preto e branco, mas a alma humana não é assim, tem muitas nuances, divinas e diabólicas, sagradas e profanas, porque todas as experiências que atravessamos vem da criação de energias opostas. Há uma expressão que diz que “o santo e o pecador estão meramente a trocar notas, o santo tem um passado e o pecador tem um futuro :-)”, “aquele que não tem pecado em si, que atire a primeira pedra”, portanto todos temos uma sombra, que tentamos esconder, que se manifesta através da repressão, da falta de responsabilidade pelos próprios actos, pela pobre auto e hetero-liderança. O mal (evil) é uma projecção manifestada da sombra colectiva, da repressão colectiva, ao trazer luz às nossas próprias sombras, trazemos luz ao mundo. Dalai Lama afirma que não há mal per si, existem apenas maus comportamentos que aparecem perante determinadas situações.
Comentários: Este compromisso contém indicações preciosas acerca da natureza humana. A tentativa de sermos seres humanos bons está intimamente ancorada na capacidade para reconhecermos que não somos perfeitos. Toda a medalha tem um reverso, e o desespero provém muitas vezes da incapacidade em o aceitar.
#9 Eu explorarei a minha natureza multidimensional, as manifestações subtis e causais do meu ser
De acordo com a sabedoria védica, cada estado de consciência cria a sua própria realidade, há vários tipos de consciência, a) a consciência acordada, reagimos ao que acontece, ouvimos um ruído e viramo-nos para ver o que é b) depois há a consciência de sonho, neste estado, temos uma determinada experiência, tudo o que aconteceu no sonho, foram projecções da nossa consciência, somos o observador e tudo aquilo que observamos, fui eu que criei tudo aquilo, ambos o cenário e aquele que o observa, são projecções da minha consciência. Ao compreender isso, posso ter a habilidade de criar a minha própria versão c) consciência para além do tempo, espaço e causalidade, aquela que nos ancora à sabedoria da alma d) consciência cósmica, tu como espírito observas o teu corpo a dormir, é a tua consciência sempre presente (ever present witnessing awareness), é perceber que eu sou mais que os papéis que represento e) consciência divina, que é ter a experiência da sempre presente consciência observadora nos objectos de percepção. Se eu olhar para esta planta, eu verei que ela também é água, vento, terra e espaço vazio, se for para além disso, sinto a presença do espírito e comungo com isso, em cada objecto vejo a verdade que é a verdadeira natureza das coisas. Nesta consciência, Deus não só não é difícil de encontrar, Deus é impossível de evitar, pois não há sitio onde se vá, onde não se encontre a sua manifestação. Num último tipo de consciência, a sempre presente consciência observadora, é simultaneamente sujeito e objecto da experiência, ambas se fundem e tornam-se unas, todo o universo se transforma numa única consciência e essa consciência única está disponível a cada um de nós, nas profundezas do nosso próprio ser, através da transformação do Self Pessoal em Self Colectivo, e do Colectivo em Universal. Desse modo podemos ver como o Universo nos contém e é ao mesmo tempo, uma projecção do nosso próprio self. Explorar estas dimensões, é ultrapassar o medo da morte, porque existem mundos infinitos dentro da nossa consciência.
Comentário: Neste como noutros pontos, Deepak apela à meditação em níveis cada vez mais profundos.
#10 Vou explorar cada morte, como um salto quântico criativo (creativ quantum leap) na evolução
No início desta conversa mencionei o termo Descontinuidade, como tudo sendo uma sucessão extremamente rápida de ON/OFF, todo o Universo está em ON/OFF, fotões, átomos, moléculas, células, etc., o Universo está-se a recriar através desse movimento ON/OFF, o ON é o mundo, o OFF é a morte, sem um não há o outro, o que torna este movimento no princípio fundamental do Universo, a morte torna a vida possível e vice-versa. As células do estômago morrem a cada 5 dias, permanecemos saudáveis porque há morte dentro de nós. A criança tem que morrer para que o adolescente emerja, o adolescente tem que morrer para que o adulto emerja, o adulto tem que morrer para que o idoso emerja, o idoso tem que morrer, para que nós possamos de novo rever o Universo com um olhar fresco e rejuvenescido. O Universo recria-se a si próprio através deste processo de morte, e nós somos apenas cópias do Universo. Ao nível prático, passa por deixar ir o conhecido e saltar para o desconhecido, aceitemos a morte do passado, nem o passado nem o futuro são a realidade, estão ambos na imaginação, e portanto se conseguirmos manter a nossa atenção no momento presente, então seremos capazes de perceber a presença de Deus.
Comentário: Este é outro dos compromisso “difíceis”, a nossa mente está agarrada ao que vê, é quase impossível não pensar na morte sem temor e não exclusivamente ao nível físico, a morte das relações que pode representar um novo momento de criatividade, de livre auto e hetero descoberta, representa na mais das vezes apenas sofrimento e prisão. Compreender a morte como um processo fundamental é estar permanentemente aberto à vida, cada momento presente é a morte e a abertura à vida em simultâneo.
#11 Eu compreenderei que o Universo pensa através de mim.
Quando eu olho, o Universo está a olhar para si próprio através destes olhos. Aquele que olha através dos meus olhos, é também aquele que olha através dos teus olhos.
#12 Eu cuidarei de estar centrado e atento no momento presente.
A minha atenção estará naquilo que é o momento e verei toda a sua imensidão a todo o momento. Nessa atenção, sentirei a presença de Deus e abraçá-lo-ei.
#13 Serei livre quando compreender que não sou uma pessoa
Teilhard de Chardin afirmou que “nós não somos seres físicos que temos uma experiência espiritual ocasional, nós somos seres espirituais que temos uma experiência física ocasional”. Alterar e mudar a nossa atenção de sermos um corpo físico para um espírito que habita um corpo, é ser livre e tentar compreender todo o significado oculto por detrás os eventos significativos que nos aparecem sincronizadamente, como coincidências. Desse modo, penetramos na simultaneidade e na mente não local, na mente sincronistica, onde tudo é orquestrado ao mesmo tempo.
Comentário: Na prática budista, só atinge a Iluminação aquele que realiza a sabedoria da vacuidade, uma das mentes virtuosas do Bodhisatva. O eu não tem existência inerente, é apenas um conjunto de agregados. È algo difícil de entender, até intelectualmente, mas vale a pena tentar…
#14 Eu verei o significado oculto de todos os eventos significativos na minha vida.
Nunca ignorem uma coincidência, sempre que acontece, questionem-se sobre o que quer dizer. Sempre que se questionarem sobre o significado disso, aparecerão eventos, situações, pessoas que vos darão a oportunidade de participarem na evolução criativa do Universo.
#15 Descobrirei quem sou, donde vim e qual é o meu propósito
Um poeta indiano disse “cada criança que nasce, é um sinal de que Deus ainda não desistiu de nós”. Continuem a fazer perguntas como uma criança…
Gostaria de terminar com um assunto que me parece importante. Apesar de todas as descobertas, de todo o conhecimento, continuamos a olhar á nossa volta e a ver um mundo caótico em que os 4 grandes assuntos do nosso tempo são 1) resolução de conflitos através da violência, guerra, terrorismo 2) extrema tirania e injustiça social 3) extrema disparidade económica, 50% do mundo vive com menos de 2 dólares por dia e desses, 20% com menos de um dólar, 4) devastação ecológica e do ecossistema. Os cientistas sociais afirmam que todos estes eventos estão inextrincavelmente ligados. Não haverá paz enquanto houver desigualdade económica, não haverá saúde enquanto houver desastre ecológico, somos violentos porque não somos saudáveis. Se tudo está ligado com tudo, a única solução para o problema global é uma mudança na consciência colectiva. E quando olhamos para os enormes saltos criativos do Universo, há sempre caos, a biologia evolucionária reconheceu que ocorreram alguns saltos evolucionários, que são realmente saltos quânticos na criatividade de o Universo. Não existiu uma transição entre os anfíbios e os voadores, houve um salto, não há uma transição directa entre os primatas e os humanos, há um salto quântico criativo ao nível da consciência do Universo. Muitos cientistas evolucionários acreditam, que a humanidade tem neste momento massa crítica para um novo salto evolucionário.
Na biologia há um processo conhecido como metamorfose, a lagarta que se transforma em borboleta. Eis o que se segue de uma perspectiva biológica: a um certo nível do seu desenvolvimento, a lagarta que tem um metabolismo muito lento, começa a consumir tudo aquilo que o seu metabolismo necessita, quando o consumo excede as necessidades metabólicas, o corpo da lagarta começa a morrer, a liquefazer-se. Nesse corpo existem algumas células (imaginal cells) que tem imaginação, que sonham, e quando as células imunitárias olham para estas células dizem “estas não pertencem aqui, vamos atacá-las”, mas como as imaginal cells vibram numa frequência diferente, as outras não as conseguem combater, e estas ficam imunes começando a juntar-se em pequenos clusters, e a fazerem conexões umas com as outras. Começam então a utilizar o corpo decadente da lagarta como uma sopa nutriente, e um dia, a conectividade dos clusters das imaginal cells chega a um limiar criativo, e então, um código genético que até ai estava adormecido, acorda, e nesse gene está a informação para uma nova criatura, totalmente nova, com um metabolismo totalmente diferente. Num dia, todo o código genético explode e a borboleta nasce. Estou-vos a dizer isto porque acredito que nesta sala, somos um cluster de células imaginárias, não estamos cá acidentalmente, porque sonhamos com um novo salto na nossa existência, e cita Raul Seixas, poeta brasileiro “o sonho que sonhei sozinho, é só um sonho, mas o sonho que sonhamos juntos, tornar-se-á realidade”. Por favor continuem a sonhar…
E poderia ter citado António Gedeão e a Pedra Filosofal… O sonho comanda a vida… Obrigado Deepak.
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