junho 05, 2005

Gémeos e os relacionamentos I

Como vimos no artigo dedicado aos Gémeos (aqui), o padrão interno do nativo parece ser um de auto-conhecimento, através do questionamento e da aprendizagem. A verdade é vista como algo relativo, pelo que o diálogo interno é incansável, no sentido de perceber quem é e também quem é o Outro. O carácter mutável do signo designa uma aprendizagem contínua, o elemento Ar, a vontade de se relacionar, ainda que de forma áerea, e a regência mercuriana que fornece uma predisposição ao pensamento. Podemos falar de uma tendência para relações geminianas quando Sol, Lua ou Ascendente estão em Gémeos, quando Marte ou Vénus se lá encontram, quando a cúspide da casa 7 está no signo, digamos que estes serão os aspectos maiores.

Os geminianos, ou aqueles que pelo posicionamento dos signos relacionais possam ter características desse signo, partilham de características comuns: abertura fácil e amigável ao Outro, abertos às possibilidades, socialmente pouco discriminatórios e bastante aceitantes das diferenças, o que lhes faculta o acesso quase imediato a praticamente todas as pessoas. O lado mais sombrio desta faceta revela-se por vezes num certo sentimento de superioridade intelectual ou mental. O seu entendimento dos sentimentos, baseia-se naquilo que pensam, frequentemente compreendem também o que o Outro está a sentir, através de uma aproximação intelectual.

A componente emoções aparenta estar mais afastada do centro do ser, nos signos de Ar ou em nativos onde predomina o Ar, pelo menos assim o classificou Jung, dado que o acesso às mesmas se faz através do processo mental, antes que pelo valorativo ou sentimental. Digamos que o Ar tende a ver as coisas mais pelo valor facial, pela razão, enquanto que os nativos de Água, parecem ficar toldados pela reacção emocional aos sentimentos. Embora Jung não fosse um cartesiano encartado, o certo é que a maior parte dos seus seguidores o foram, acabando por prolongar uma visão da mente, que é entendida como algo puramente do domínio intelectual, da razão. As pesquisas mais recentes nos domínios da neurobiologia (ver livros de António Damásio) procuram demonstrar que todo o processo racional de tomada de decisões, assenta na existência das emoções. Damásio propõe a hipótese de um marcador somático em que o corpo experimenta antecipadamente sentimentos – sendo as emoções a reacção a esses sentimentos – como reacção a uma decisão vantajosa ou não. Sem essa reacção emocional, a capacidade para tomar decisões é totalmente comprometida. Num outro artigo, Entender a Mente, vimos como a mente é visto como um conjunto de mentes (à semelhança da ciência que classifica a mente em centros cognitivos), não sendo as emoções senão um conjunto de mentes, associado à sensação e à discriminação, algo que está perfeitamente ajustado às teorias de Damásio, sem discriminação, não saberíamos o que é bom ou mau, sem sabermos (organismicamente) o que é bom ou mau, ou seja, não existindo o marcador somático, é impossível tomar decisões racionais, logo agir. O processo parece cada vez mais inextricavelmente ligado.

De qualquer maneira isso é empiricamente observável, os nativos mais “Água” pensam com base naquilo que sentem, aqueles mais “Ar” sentem com base naquilo que pensam, isto para dizer que nuns predomina mais uma função, e noutros, outra.

Para concluir, a natureza relacional geminiana ou com esse pendor, parece imbuída de abertura às possibilidades, sobretudo se as mesmas tiverem uma componente mental activa, no intuito de que o nativo aprenda sobre ele próprio, ainda que isso possa criar algum tipo de frustração no parceiro, face ao excesso de “mental”. Esse desejo de expansão e aprendizagem contínua sobre si mesmo, por vezes leva a não “ouvir” correctamente o Outro, um paradoxo, dada a importante natureza das palavras e daquilo que se diz, para este signo, mas esse é um problema sobretudo de quem tem uma excessiva verbalidade, que se caracteriza por ser geralmente um pouco autista.

Como nota de curiosidade, refiro que conheço 4 pares de Gémeos (ela) – Peixes (ele), cujas relações parecem ser frutuosas e duradouras. A natureza mutável e bastante amigável destes 2 signos, parece designar uma boa base relacional. Embora a quadratura se “confronte” nessa união, a mesma está de acordo com um dos princípios da escolha do parceiro, que é o facto de poder ser definido por aquilo que nos “faz falta”. Parece ser uma das descobertas jungianas que frequentemente se verifica, o que falta à Água é o Ar, e vice-versa. Devo no entanto dizer, que com pouca frequência se vê esta tão harmoniosa convivência noutros tipos de quadratura, nomeadamente entre signos Fixos e Cardinais. Sendo o elemento comum a mutabilidade, parece-me ser esse o aglutinador da relação, no entanto esta é uma observação que carece de bases demonstrativas.