junho 19, 2005

Gémeos e os relacionamentos II

Importa fazer alguma distinção no que diz respeito à análise dos planetas nos relacionamentos. Se habitualmente os livros de astrologia aparecem escritos em categorias bem arrumadas, isso fica a dever-se sobretudo à necessidade de sistematização dos autores e de facilitar a leitura. No entanto, à que entender que quando se fala de Vénus ou da forma como a mulher se dá no amor (Vénus-Balança), ou dos valores que perfilha (Vénus-Touro), ou da maneira como o homem projecta as suas características mais femininas e portanto “aquilo” que procura, essa Vénus não pode ser separada do resto do mapa. Se o objectivo das categorizações expostas nos livros de astrologia é o de simplificar, as mais das vezes isso parece levar a uma identificação com um símbolo, sem que contudo se entenda a forma como esse símbolo se encaixa com os outros. Frequentemente oiço “é a minha Vénus em Leão que…”, não só considero isso redutor, como uma atitude quase desresponsabilizante e fatalista perante a dinâmica natal, cujo intuito é o de justamente ser um ponto de partida para a mudança e para a evolução dessa pessoa, mas isto é um pouco desviante em relação ao tema de hoje.

A hipótese que proponho é a de que quanto maior for o número de indicadores de uma determinada tendência, maior será a propensão a que essa tendência ocorra. Se o nativo tem o Sol em Gémeos e não tem mais planeta nenhum, nem na casa 3, nem Gémeos na casa 7, se o Sol não faz aspecto com Vénus ou com o regente da casa 7, então existe uma dinâmica que é geminiana, mas que não é reforçada por nenhum outro aspecto. Podemos dizer que esse nativo é um candidato a ser considerado geminiano no relacionamento? È, sem dúvida, pela posição do Sol que já vai determinar em larga medida a estrutura da personalidade, mas e o resto? Em que cultura nasceu? Em que medida foi condicionado pelo ambiente ou pela família a um papel que pode não se lhe adequar? Espiritualmente em que estado de evolução se encontra? A análise destes indicadores tem que ser levada em conta, até porque cada um deles vai determinar o modo como o nativo irá responder aos desafios que a vida lhe vai propondo.

A definição de relacionamento geminiano pode ser uma coisa vaga, mas como disse no início do psicótico, o objectivo não é o ensino da astrologia, mas o questionamento interior, essa atitude de levar cada um a pensar sobre si, é que considero importante, não o é tanto o encaixar pessoas em predefinições, que rapidamente se tornam em preconceitos. A astrologia facilita a auto análise, sendo que essa auto-análise pode ser o mecanismo percursor da mudança e da evolução, a reflexão parece fornecer um sentido de direcção que é fundamental para implementar as acções de mudança. A astrologia visa facilitar a mudança, e o cuidado dos astrólogos deve ser posto não na criação de atitudes facilitadoras da mudança, isso é o papel do terapeuta, mas no de fazer pensar e questionar, sobre quais os pontos onde essa mudança deve incidir. A própria análise dos trânsitos disso nos dão conta, pois são os momentos onde se faz sentir uma dinâmica que pode ser mudada, melhorada, onde se pode evoluir, crescer. Um mapa de trânsitos não é um conjunto predeterminado de acções ou situações, mas um tempo em que se farão sentir energias específicas que levam o nativo a reflectir e a agir para orientar a sua vida e a forma como a mesma flúi. Não se fica pacífico perante um trânsito, tenta-se fluir com a sua energia, e como no surf, tudo tem um momento certo para acontecer.

O relacionamento parece conter em si as sementes da busca do equílibrio, somos seres relacionais, se por momentos estamos mais no Eu (Carneiro-casa 1) por outras estamos mais preocupados com o Outro (Balança- casa 7), esse parece ser o eixo fundamental de todo o Zodíaco, o eixo 1-7, Eu-Outro, isso é claramente visível na interacção humana, cuja grande dor provem quase sempre da interacção entre o Eu e o Outro.

O gemininano na relação é leve, aliviante, mas pode roçar a superficialidade e a impenetrabilidade. Denota facilidade, mas pode cair na esperteza e na dúvida acerca de si mesmo e dos outros. Vai a “todas” em estilo e agilidade, mas pode derivar no “sabe tudo, mas não compreende nada”. Esta ênfase no saber ainda que superficial (Quinquncio com Escorpião), pode trazer auto-conhecimento se existir humildade (difícil, face à quadratura com Virgem), a máxima socrática “sei que nada sei” é o calcanhar de Aquiles deste signo, dizer a um geminiano que não percebe nada é o maior insulto que se lhe pode fazer, no entanto é de notar que poucos tem de facto a humildade de reconhecer que por vezes estão errados ou simplesmente mal preparados para o que dizem, num relacionamento isso pode fazer azedar as coisas e originar trocas de palavras algo ácidas. Uma outra dificuldade pode residir na relutância em ir directo à verdade (Oposição com Sagitário), uma vez que essa via terminaria com o “saltitar” de relativo em relativo tão interessante para o nativo, mas é preciso não esquecer que esse é um dos seus desafios, descobrir a natureza relativa da verdade. Se a tendência é por vezes a de racionalizar, isso pode ficar a dever-se ao medo de não ser aceite pelo que é, pelo que se trata de uma “fuga” que não se resolve com acusações, mas com verdadeira compreensão e aceitação de si próprio e do parceiro.

O geminiano é uma figura “cool”, ainda que por vezes se possa transformar num bloco de gelo. Detêm um amplo leque de contactos, mas por vezes dá um ar esvoaçante que não se compromete com ninguém em particular. Faz do flirt uma forma de arte embora possa cair na tentação de nele permanecer e evitar qualquer contacto emocional real. É um talento com a palavra, que facilmente se desinteressa pela falta de brilho mental do Outro. Quer manter acesa a chama do Amor, sem que no entanto se transforme no “assentar” demasiado. Se existe um desejo de satisfazer os sentimentos, por outro lado pode existir o medo de realmente os encontrar (Àgua é o elemento faltante ao Ar), pelo que a excessiva racionalização, o ar de quem sabe tudo, o excesso de piadas, são apenas cortinas de fumo para o receio do confronto com o interior. Uma relação é sempre um confronto com o interior, através do mecanismo de projecção, pelo que o geminiano torna a relação fácil, leve e bem humorada, muitas vezes numa espécie de máscara, não só porque gosta de jogar às adivinhas, sendo essa uma forma de manter o interesse, mas porque se impede desse modo de ir demasiado fundo em si.

Mas esta caracterização é sempre vaga, porque se tenho Vénus em Gémeos, onde está o Sol? E a Lua? E o que é que projecto nos relacionamentos, através do signo e planeta regente da casa 7? Utilizem a astrologia para pensarem sobre vós próprios e sobre os outros, e não para os meter em caixinha muito bem arrumadas, apenas porque isso fornece um sentido de segurança. Um dos indicadores do desenvolvimento pessoal, parece ser o da aceitação de uma certa turbulência ou incerteza, de uma certa abertura ao momento e à mudança, tentemos manter vivo esse caminho, até porque a segurança excessiva tem como origem o medo, como veremos em Caranguejo, na semana que vem.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Tenho venus na cz 1 em peixes, oposta a cz 7 em virgem com plutao e nodo norte até hoje posso dizer que fui um terremoto para os que se relacionaram comigo e por minha vez sofri tsumanes terríveis em meus tres casamentos, sendo dois com uma filha cada um, o outro sem filhos.Hoje quando algum se masculino na forma humana me olha, sorrio graciosamente, mas elimino até os possíveis pensamentos que por ventura me assaltem, pois sei que o que me espera éo holocausto e possívelmente o fim do mundo. Do meu mundo, descobri que tenho onze casa para ser feliz, relacionamento homem mulher, sinceramente, estou traumatizada, mas a vida é bela e realmente amigos em preto e branco são maravilhosos de se ter. De bem com a vida f.0519262-3286

11:42 p.m.  

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