A química do encontro
A escolha dos parceiros amorosos permanece um mistério, ainda que sejam várias as contribuições para a solução, vindas de diversos campos da ciência. Um ponto parece indubitável, somos seres que entram em relação porque precisamos do Outro para vários fins, temos necessidades que necessitam de ser satisfeitas. As necessidades são de vária ordem, desde o patamar básico (alimentação, sexualidade, etc.) até às de ordem mais elaborada (auto-realização, amor, respeito, etc.). Se o instinto e a necessidade de sobrevivência parecem ter presidido às decisões de cooperação e associação nos primórdios da humanidade, o período civilizacional ditou a existência de novas necessidades a ser satisfeitas.
Uma contribuição da biologia, é a de que anatomicamente o cérebro primário regula todas as funções instintivas do ser humano e o instinto de sobrevivência manifesta-se também na perpetuação da espécie. Uma das razões para a existência do acto sexual parece residir na necessidade de evolução constante do sistema imunitário do organismo, que caso a reprodução fosse asexuada se veria impossibilitado de o fazer, debilitando a espécie e pondo em risco a sobrevivência, portanto parece claro que o instinto sexual é algo primário, devendo a noção de primário ser aqui vista apenas como uma mecanismo inato à sobrevivência e não de forma distorcida ou moral, como faz crer Allan Bloom em Amor e Amizade quando diz que “aquilo que a sociedade lhe faz (ao sexo) é distorcê-lo, reprimi-lo e, consequentemente, intrometê-lo, como um intruso, em todas as áreas da vida”.
O decifrar de uma lei universal da atracção, leva a identificar entre outros, um mecanismo primário que despoleta essa atracção, em que uma reacção subconsciente à secreção de feromonas, que emitem um aroma, leva os parceiros a reagirem. Através desta “pista” biológica seleccionamos parceiros de quem teremos rebentos mais evoluídos em termos de sistema imunitário, garantindo a sobrevivência da espécie. O cheiro parece ser de facto uma componente fundamental na escolha dos parceiros. Isso verifica-se por exemplo através do beijo, em que o nariz praticamente está encostado à pele do outro, e o prazer do beijo sendo aparentemente apenas gustativo, tem uma componente olfactiva fortíssima. Aliás quando estamos constipados, temos pouco odor e pouco sabor, precisamente porque a função odorífera está obstruída. Dai dizermos que há “química”, precisamente porque existem funções “primárias” que determinam essa atracção, aliás Helen Fisher em Why we love. The Nature and Chemistry of Romantic Love, fornece evidências sobre o papel da dopamina (cujos níveis altos são também encontrados nas dependências) na paixão, da vasopressina e oxitocina, que aumentam brutalmente durante o orgasmo e que parecem conduzir a sentimentos de satisfação e aprofundamento de ligação, determinando na sexualidade mais que a gratificação de instintos em bruto, mas também a solidificação de vínculos afectivos.
Astrologicamente, as necessidades instintivas de sobrevivência relacionam-se com Touro e com a casa 2, o arquétipo do que já possuímos para sobreviver mas ao mesmo tempo e que de modo dual identifica também aquilo que ainda necessitamos para sobreviver, o qual, dada essa percepção, valorizaremos instantaneamente. Esse atitude paradoxal gera uma crise interna, ao identificarmos aquilo que já temos tornamo-nos auto-sustentados e auto-suficientes, por outro lado ao percebermos aquilo que nos faz falta, isso está correlacionado com aquela parte de nós que procura fora de si próprio de modo a obter ou atrair aquilo de que necessita, e dai a importância da atracção, justamente como forma de obter aquilo que achamos que não temos e que nos faz falta para sobreviver, porque o valorizámos como tal. Jeff Green no seu livro Pluto – The Soul´s evolution through relationships afirma “A paradoxal crise de sobrevivência está enraizada naquilo que o indivíduo já possui, e naquilo que é percebido como necessário (…) está também reflectido na natureza interior de Vénus (Touro) e na natureza exterior ou projectada (Balança), ao nível psicológico, é a crise paradoxal entre a necessidade de auto-suporte e a nossa dependência de outros (relações) para sobreviver.”
O mecanismo de atracção poderá então basear-se também na percepção daquilo que não temos dentro de nós e que percepcionamos/valorizamos como vital para a sobrevivência, sobretudo de uma forma instintiva, no entanto vemos como é algo paradoxal, por um lado a necessidade de nos vermos como solucionadores das nossas necessidades, por outro lado, vermos o outro e o que ele tem, como algo que nos faz falta e que também precisamos para nós. Dessa forma projectamos as necessidades no outro e “identificamos” o outro (ambas questões da casa 7) com base na possibilidade de nos satisfazer essas necessidades que percepcionamos como essenciais.
Face ao molde de educação parental contemporâneo baseado no “dinheiro é tudo”, parece comum que o dinheiro e a segurança material que proporciona, seja o factor de primeira escolha (estatuto sócio económico do homem) do parceiro sexual das mulheres portuguesas, segundo Anália Torres, no seu livro Divórcio em Portugal, até porque também a sociedade parece ainda falhar na igualização dos papéis e das recompensas sociais à mulher. Convém referir que no que à conjugalidade (casamento) diz respeito, o critério amoroso ainda é o que predomina, no entanto considera-se na nossa sociedade que é a atracção, baseada nos mecanismos instintivos e na percepção daquilo que necessitamos, que leva á sexualidade, a qual por sua vez sedimenta o vinculo afectivo e pode levar ao casamento. Desse modo é uma consequência do processo o qual foi largamento determinado pela atracção, através dos mecanismos que atrás descrevemos.
Dinheiro e poder, andando de mão dadas, tornam-se nos dias de hoje claramente nos afrodisíacos mais poderosos, porque é algo a que “instintivamente” ou por repetição da mensagem, as pessoas aspiram. Alguém que perca o seu estatuto económico, perde de imediato capacidade de atracção, o “amor e uma cabana” já não chegam, pelo que a reacção de desapaixonamento é instintiva, levando a que relações recentes terminem rápida e abruptamente, sem que ambos os parceiros consigam até explicar porque é que isso aconteceu, aquele que deixa porque não tem uma noção clara dos motivos, que se tornaram instintivos ou inconscientes, aquele que é deixado, porque não lhos foram claramente comunicados e porque permanece na confusão, embora “até houvesse química”. Dá-se uma atracção com base em mecanismos biológicos ou inconscientes, que se perde face a uma reacção instintiva de insegurança face ao futuro. Porquê? Porque a cultura e a educação tendem a tornar-se factores condicionadores que se enraízam até se tornarem instintivos, algo que de tanto se repetir se incorpora. A mensagem é a de que necessitamos de algo “tens que casar com alguém com dinheiro, senão não sobrevives”que nunca vamos conseguir por nós próprios, portanto “instintivamente” procuraremos através do mecanismo de atrair aquilo que queremos e da projecção, alguém que possa satisfazer essa nossa necessidade, que deixa de ser cultural, para passar a ser instintiva. Ficamos hipnotisados e reféns de uma mensagem que não sendo natural, se torna adquirida pela força da repetição.
Podemos verificar que essa “normalização” do instinto é forçada, quando observamos em cada mapa natal, diferentes regentes da casa 2, com diferentes posições por signo e diferentes aspectos, em que cada um conta uma diferente história pessoal, sobre o que de facto consideramos como aquilo de que “necessitamos” para sobreviver. O grande truque publicitário foi o de justamente tornar instintivo pela repetição, uma necessidade que claramente pode não o ser, nem todas as mulheres precisam de assegurar um marido com estabilidade económica, nem todos os homens tem que ter grandes automóveis, para conquistarem mulheres bonitas. Por outro lado e dado que isso acontece através do mecanismo da valorização, tudo aquilo que não temos e que pensamos que nos faz falta, atribuímos um valor imenso, pelo que tudo faremos para o obter, seja através dos nossos próprios meios (Touro), seja através do mecanismo de atracção, atraindo alguém que possua isso que percepcionamos como nos fazendo falta.
Vimos atrás como a componente química da sexualidade, através da secreção da vasopressina e da oxitocina no momento da excitação sexual e do orgasmo, podem aprofundar a atracção e o sentimento de ligação entre os parceiros, o “amo-te” e o “adoro-te” frequentes na altura do climax. Isso é claramente visível através do arquétipo de Escorpião, que é um arquétipo de sexualidade e ao mesmo tempo de obtenção através do outro, não pelos seus próprios meios (Touro) mas por osmose, daquilo que instintivamente lhe faz falta, pelo que estas duas dinâmicas parecem andar intimamente ligadas, numa vertente não distorcida, em que a sexualidade aprofunda o sentimento de ligação e conduz á satisfação do instinto de sobrevivência através da união com alguém fidedigno. Por outro lado, vemos também através deste arquétipo exemplos de como este mecanismo pode ser distorcido para obter ganhos à custa do outro, o negócio da prostituição (troca de dinheiro por sexo), as e os amantes caras(os), todo o negócio destinado á sedução que a publicidade alimenta de forma engenhosa, que tem como base algo que é instintivo, e sendo dessa forma, temos a sensação que nos faz falta, dai que o procuremos obter a qualquer preço. Dai a percepção de que o sexo é muitas vezes conduzido como uma forma de manipulação, porque está instintivamente associado à sobrevivência, e do que necessitamos para sobreviver, fazemos de tudo para obter. Continuaremos em próximos artigos a tentar aprofundar e clarificar um pouco mais esta dinâmica da atracção e porque escolhemos com quem estamos. O tema de hoje foi claramente centrado no mecanismo mais biológico ou instintivo, mas a astrologia fornece outros padrões que podem também ser levados em conta nesta dinâmica.
Uma contribuição da biologia, é a de que anatomicamente o cérebro primário regula todas as funções instintivas do ser humano e o instinto de sobrevivência manifesta-se também na perpetuação da espécie. Uma das razões para a existência do acto sexual parece residir na necessidade de evolução constante do sistema imunitário do organismo, que caso a reprodução fosse asexuada se veria impossibilitado de o fazer, debilitando a espécie e pondo em risco a sobrevivência, portanto parece claro que o instinto sexual é algo primário, devendo a noção de primário ser aqui vista apenas como uma mecanismo inato à sobrevivência e não de forma distorcida ou moral, como faz crer Allan Bloom em Amor e Amizade quando diz que “aquilo que a sociedade lhe faz (ao sexo) é distorcê-lo, reprimi-lo e, consequentemente, intrometê-lo, como um intruso, em todas as áreas da vida”.
O decifrar de uma lei universal da atracção, leva a identificar entre outros, um mecanismo primário que despoleta essa atracção, em que uma reacção subconsciente à secreção de feromonas, que emitem um aroma, leva os parceiros a reagirem. Através desta “pista” biológica seleccionamos parceiros de quem teremos rebentos mais evoluídos em termos de sistema imunitário, garantindo a sobrevivência da espécie. O cheiro parece ser de facto uma componente fundamental na escolha dos parceiros. Isso verifica-se por exemplo através do beijo, em que o nariz praticamente está encostado à pele do outro, e o prazer do beijo sendo aparentemente apenas gustativo, tem uma componente olfactiva fortíssima. Aliás quando estamos constipados, temos pouco odor e pouco sabor, precisamente porque a função odorífera está obstruída. Dai dizermos que há “química”, precisamente porque existem funções “primárias” que determinam essa atracção, aliás Helen Fisher em Why we love. The Nature and Chemistry of Romantic Love, fornece evidências sobre o papel da dopamina (cujos níveis altos são também encontrados nas dependências) na paixão, da vasopressina e oxitocina, que aumentam brutalmente durante o orgasmo e que parecem conduzir a sentimentos de satisfação e aprofundamento de ligação, determinando na sexualidade mais que a gratificação de instintos em bruto, mas também a solidificação de vínculos afectivos.
Astrologicamente, as necessidades instintivas de sobrevivência relacionam-se com Touro e com a casa 2, o arquétipo do que já possuímos para sobreviver mas ao mesmo tempo e que de modo dual identifica também aquilo que ainda necessitamos para sobreviver, o qual, dada essa percepção, valorizaremos instantaneamente. Esse atitude paradoxal gera uma crise interna, ao identificarmos aquilo que já temos tornamo-nos auto-sustentados e auto-suficientes, por outro lado ao percebermos aquilo que nos faz falta, isso está correlacionado com aquela parte de nós que procura fora de si próprio de modo a obter ou atrair aquilo de que necessita, e dai a importância da atracção, justamente como forma de obter aquilo que achamos que não temos e que nos faz falta para sobreviver, porque o valorizámos como tal. Jeff Green no seu livro Pluto – The Soul´s evolution through relationships afirma “A paradoxal crise de sobrevivência está enraizada naquilo que o indivíduo já possui, e naquilo que é percebido como necessário (…) está também reflectido na natureza interior de Vénus (Touro) e na natureza exterior ou projectada (Balança), ao nível psicológico, é a crise paradoxal entre a necessidade de auto-suporte e a nossa dependência de outros (relações) para sobreviver.”
O mecanismo de atracção poderá então basear-se também na percepção daquilo que não temos dentro de nós e que percepcionamos/valorizamos como vital para a sobrevivência, sobretudo de uma forma instintiva, no entanto vemos como é algo paradoxal, por um lado a necessidade de nos vermos como solucionadores das nossas necessidades, por outro lado, vermos o outro e o que ele tem, como algo que nos faz falta e que também precisamos para nós. Dessa forma projectamos as necessidades no outro e “identificamos” o outro (ambas questões da casa 7) com base na possibilidade de nos satisfazer essas necessidades que percepcionamos como essenciais.
Face ao molde de educação parental contemporâneo baseado no “dinheiro é tudo”, parece comum que o dinheiro e a segurança material que proporciona, seja o factor de primeira escolha (estatuto sócio económico do homem) do parceiro sexual das mulheres portuguesas, segundo Anália Torres, no seu livro Divórcio em Portugal, até porque também a sociedade parece ainda falhar na igualização dos papéis e das recompensas sociais à mulher. Convém referir que no que à conjugalidade (casamento) diz respeito, o critério amoroso ainda é o que predomina, no entanto considera-se na nossa sociedade que é a atracção, baseada nos mecanismos instintivos e na percepção daquilo que necessitamos, que leva á sexualidade, a qual por sua vez sedimenta o vinculo afectivo e pode levar ao casamento. Desse modo é uma consequência do processo o qual foi largamento determinado pela atracção, através dos mecanismos que atrás descrevemos.
Dinheiro e poder, andando de mão dadas, tornam-se nos dias de hoje claramente nos afrodisíacos mais poderosos, porque é algo a que “instintivamente” ou por repetição da mensagem, as pessoas aspiram. Alguém que perca o seu estatuto económico, perde de imediato capacidade de atracção, o “amor e uma cabana” já não chegam, pelo que a reacção de desapaixonamento é instintiva, levando a que relações recentes terminem rápida e abruptamente, sem que ambos os parceiros consigam até explicar porque é que isso aconteceu, aquele que deixa porque não tem uma noção clara dos motivos, que se tornaram instintivos ou inconscientes, aquele que é deixado, porque não lhos foram claramente comunicados e porque permanece na confusão, embora “até houvesse química”. Dá-se uma atracção com base em mecanismos biológicos ou inconscientes, que se perde face a uma reacção instintiva de insegurança face ao futuro. Porquê? Porque a cultura e a educação tendem a tornar-se factores condicionadores que se enraízam até se tornarem instintivos, algo que de tanto se repetir se incorpora. A mensagem é a de que necessitamos de algo “tens que casar com alguém com dinheiro, senão não sobrevives”que nunca vamos conseguir por nós próprios, portanto “instintivamente” procuraremos através do mecanismo de atrair aquilo que queremos e da projecção, alguém que possa satisfazer essa nossa necessidade, que deixa de ser cultural, para passar a ser instintiva. Ficamos hipnotisados e reféns de uma mensagem que não sendo natural, se torna adquirida pela força da repetição.
Podemos verificar que essa “normalização” do instinto é forçada, quando observamos em cada mapa natal, diferentes regentes da casa 2, com diferentes posições por signo e diferentes aspectos, em que cada um conta uma diferente história pessoal, sobre o que de facto consideramos como aquilo de que “necessitamos” para sobreviver. O grande truque publicitário foi o de justamente tornar instintivo pela repetição, uma necessidade que claramente pode não o ser, nem todas as mulheres precisam de assegurar um marido com estabilidade económica, nem todos os homens tem que ter grandes automóveis, para conquistarem mulheres bonitas. Por outro lado e dado que isso acontece através do mecanismo da valorização, tudo aquilo que não temos e que pensamos que nos faz falta, atribuímos um valor imenso, pelo que tudo faremos para o obter, seja através dos nossos próprios meios (Touro), seja através do mecanismo de atracção, atraindo alguém que possua isso que percepcionamos como nos fazendo falta.
Vimos atrás como a componente química da sexualidade, através da secreção da vasopressina e da oxitocina no momento da excitação sexual e do orgasmo, podem aprofundar a atracção e o sentimento de ligação entre os parceiros, o “amo-te” e o “adoro-te” frequentes na altura do climax. Isso é claramente visível através do arquétipo de Escorpião, que é um arquétipo de sexualidade e ao mesmo tempo de obtenção através do outro, não pelos seus próprios meios (Touro) mas por osmose, daquilo que instintivamente lhe faz falta, pelo que estas duas dinâmicas parecem andar intimamente ligadas, numa vertente não distorcida, em que a sexualidade aprofunda o sentimento de ligação e conduz á satisfação do instinto de sobrevivência através da união com alguém fidedigno. Por outro lado, vemos também através deste arquétipo exemplos de como este mecanismo pode ser distorcido para obter ganhos à custa do outro, o negócio da prostituição (troca de dinheiro por sexo), as e os amantes caras(os), todo o negócio destinado á sedução que a publicidade alimenta de forma engenhosa, que tem como base algo que é instintivo, e sendo dessa forma, temos a sensação que nos faz falta, dai que o procuremos obter a qualquer preço. Dai a percepção de que o sexo é muitas vezes conduzido como uma forma de manipulação, porque está instintivamente associado à sobrevivência, e do que necessitamos para sobreviver, fazemos de tudo para obter. Continuaremos em próximos artigos a tentar aprofundar e clarificar um pouco mais esta dinâmica da atracção e porque escolhemos com quem estamos. O tema de hoje foi claramente centrado no mecanismo mais biológico ou instintivo, mas a astrologia fornece outros padrões que podem também ser levados em conta nesta dinâmica.
1 Comments:
O sexo num tubo de ensaio :P
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