Curar, Corrigir ou Crescer
Este artigo tem mais que ver com a filosofia na abordagem da relação de ajuda, do que propriamente com este ou aquele signo. Subjacente está o propósito do Psicótico de tentar abordar diversas visões que digam respeito à busca pessoal, quer do ponto de vista de quem a faz, quer daquele que eventualmente a pode facilitar. Alguém que se busque conhecer/experienciar mais profundamente está a activar as suas forças de autocura, é o terapeuta de si próprio nesse momento, outrem que facilite essa busca, também aprende e por esse meio se poderá vir a curar a si próprio, em função dessa aprendizagem. Dum ponto de vista estritamente espiritual, e creio que esta é cada vez mais uma verdade percebida e incorporada por todos os “alternativos”, a cura ocorre quando o cliente “quer” ou quando está “pronto”, e não quando o facilitador deseja, pelo que se não existe vontade real e profunda de cura da parte de quem sofre, pouco ou nada mudará, não obstante os esforços e o dinheiro envolvidos.
Todavia não parece ainda possível comprovar isso de modo científico. De um modo lato, a ciência proclama que “70% das possibilidades de cura dependem da relação terapeuta-cliente e dos recursos (internos) do cliente”. Esta situação subentende estudos aprofundados da dinâmica relacional terapeuta-cliente, os quais existem de forma mais ou menos abundante, assim como o estudo de como os recursos internos do cliente influem nas possibilidades de cura. Neste último caso, parece a ciência ainda não ter encontrado respostas precisas, provavelmente porque tudo o que diz respeito ao espiritual, permanece em larga medida alheio à possibilidade de mensuração de modo quantitativo e até talvez, qualitativo.
Ao nível das práticas da relação de ajuda coexistem modelos herdados de outras relações médico-paciente. O modelo curativo ligado à visão mecanicista do homem, está hoje em dia postulado na actuação duma parte dos praticantes da psiquiatria. Uma sociedade em busca de procedimentos que sejam rápidos, efectivos e de baixo custo, é a mesma que inventou os electro-choques, as lobotomias (à custa das quais um português ganhou um prémio Nobel), e finalmente o ansiolítico, o antidepressivo, e outros similares. Indubitavelmente os progressos na farmacêutica tiveram um impacto positivo na condição de sobrevida de muitos pacientes, mas parece claramente exagerada a facilidade com que se receita este tipo de medicamentação. Infelizmente a vida na sociedade actual está neste pé, toma-se uma aspirina e já está, é esse o sentimento do cidadão comum que busca a solução milagrosa, o viver apressou-se e quem ficar para trás, está-se a condenar. Creio no entanto que uma certa visão humanista da medicina se esteja deturpando, uma parte da classe médica está neste momento mais preocupada com questões que pouco tem que ver com o juramento de Hipócrates. A indústria farmacêutica parece também estar estreitamente ligada a esta questão, pressionando ou pelo menos influenciando na venda de medicamentos. Não obstante se conhecerem os impactos na dependência física e psicológica, na vida emocional, psíquica, física e sexual dos pacientes receitados com medicamentos "mentais", o seu consumo não pára de crescer e já quase não existe família portuguesa onde uma ou mais pessoas não estejam completamente dependentes do consumo de ansiolíticos ou antidepressivos. Dependência é ilusão, como aliás referi em todos os artigos de Peixes, enquanto não se parar com a ilusão, não há auto responsabilização,nem crescimento, muito menos existirá cura.
Se ao nível físico a tentaiva de cura tem sido o paradigma e a utopia, e falo em utopia porque conhecendo-se a cada vez maior percentagem de doenças que tem características psicossomáticas, seria de apontar os esforços no sentido sensibilizar e poder proporcionar melhores condições psíquicas aos pacientes. A saúde arruína-se porque o corpo cede perante a pressão interior, ainda que aparentemente as causas possam ser encontradas no exterior. É a incapacidade que o organismo tem para reagir, que leva o corpo a dar uma nota de que algo vai mal, que leva o corpo a “falar”, através da doença.
Mas é justamente ai que reside o problema, mais tarde ou mais cedo quebrarão, todos aqueles que estão mal preparados pelas condições de vida a que foram ou estão sujeitos. Todos os que estão agarrados a predicados errados serão confrontados com as decisões que tomaram. Se o equilíbrio e a saúde advém de uma série de factores que tem que ver com estima, com segurança interior, com dinâmica interna, com capacidade de expressão emocional, que sentido faz continuar a gastar dinheiro em cosméticos arranjos exteriores, quando o que existe "dentro" de cada um é que necessita de ajustamento? Uma das questões tem que ver justamente com a gestão dos tempos, com o equílibrio entre o descanso físico, o tempo pessoal, o tempo relacional e o tempo laboral. Se as oportunidades para avançar em termos de crescimento pessoal são cada vez maiores, o tempo de que dispomos para o fazer parece cada vez mais curto, sobretudo numa sociedade que exige de todos de um modo colectivo, mas que depois esquece o individuo, existem pessoas, mas não existe a pessoa.
Sem desejar instaurar aqui uma atitude dogmática, é minha opinião que o problema psicológico dificilmente tem uma cura no sentido estreito do termo. Mesmo ao nível físico, se sofro um corte na pele, fica lá uma cicatriz, mas não existe o estado zero, não volta tudo ao que era anteriormente. Ao nível psicológico, parece existir isso sim, um reajustamento na capacidade de agir perante a vida, altera-se o viver das circunstãncias daquele que buscou ajuda para o seu sofrimento ou efectuou alguma outra forma de crescimento pessoal. Não se apagam vestígios ou traumas por decreto, não há milagres e é de desconfiar de quem os prometa. A ferida psicológica é como um prego num pedaço de madeira, ao arrancá-lo fica um buraco, também a psique ganha feridas e pode cicatrizar, no entanto, da psique nada desaparece, a não ser é claro por acidente físico que danifique os tecidos ou intervenção cirúrgica. A memória não o permite e se o faz, raramente é de modo permanente. Deste modo, parece claro que todo o circuito ligado à cura psicológica com base na receita médica, se encontra desadequado. O paradigma não será o de curar, mas o de fazer crescer. A profusão de métodos de auto-desenvolvimento também não tem contribuído para a melhora da imagem de credibilidade que as profissões de ajuda parecem necessitar. Métodos esses que na grande maioria dos casos são também meras panaceias, pois que a grande maioria deles exigiria já uma boa dose de equilíbrio mental, para que realmente pudessem aspirar a beneficiar o cliente com todo o seu potencial. Mas pelo menos não se recorre ao uso de drogas, isso já é um dado positivo. Na maoir parte dessas disciplinas o trabalho é efectuado com o próprio corpo, permitindo que haja um maior enraizamento do paciente, consequentemente trazendo-o mais para terra, mais para a autoresponsabilização. Isso já e bom, mas receio que ainda seja incompleto. Todavia esse será objecto de análise mais aprofundado em artigos posteriores.
Todavia não parece ainda possível comprovar isso de modo científico. De um modo lato, a ciência proclama que “70% das possibilidades de cura dependem da relação terapeuta-cliente e dos recursos (internos) do cliente”. Esta situação subentende estudos aprofundados da dinâmica relacional terapeuta-cliente, os quais existem de forma mais ou menos abundante, assim como o estudo de como os recursos internos do cliente influem nas possibilidades de cura. Neste último caso, parece a ciência ainda não ter encontrado respostas precisas, provavelmente porque tudo o que diz respeito ao espiritual, permanece em larga medida alheio à possibilidade de mensuração de modo quantitativo e até talvez, qualitativo.
Ao nível das práticas da relação de ajuda coexistem modelos herdados de outras relações médico-paciente. O modelo curativo ligado à visão mecanicista do homem, está hoje em dia postulado na actuação duma parte dos praticantes da psiquiatria. Uma sociedade em busca de procedimentos que sejam rápidos, efectivos e de baixo custo, é a mesma que inventou os electro-choques, as lobotomias (à custa das quais um português ganhou um prémio Nobel), e finalmente o ansiolítico, o antidepressivo, e outros similares. Indubitavelmente os progressos na farmacêutica tiveram um impacto positivo na condição de sobrevida de muitos pacientes, mas parece claramente exagerada a facilidade com que se receita este tipo de medicamentação. Infelizmente a vida na sociedade actual está neste pé, toma-se uma aspirina e já está, é esse o sentimento do cidadão comum que busca a solução milagrosa, o viver apressou-se e quem ficar para trás, está-se a condenar. Creio no entanto que uma certa visão humanista da medicina se esteja deturpando, uma parte da classe médica está neste momento mais preocupada com questões que pouco tem que ver com o juramento de Hipócrates. A indústria farmacêutica parece também estar estreitamente ligada a esta questão, pressionando ou pelo menos influenciando na venda de medicamentos. Não obstante se conhecerem os impactos na dependência física e psicológica, na vida emocional, psíquica, física e sexual dos pacientes receitados com medicamentos "mentais", o seu consumo não pára de crescer e já quase não existe família portuguesa onde uma ou mais pessoas não estejam completamente dependentes do consumo de ansiolíticos ou antidepressivos. Dependência é ilusão, como aliás referi em todos os artigos de Peixes, enquanto não se parar com a ilusão, não há auto responsabilização,nem crescimento, muito menos existirá cura.
Se ao nível físico a tentaiva de cura tem sido o paradigma e a utopia, e falo em utopia porque conhecendo-se a cada vez maior percentagem de doenças que tem características psicossomáticas, seria de apontar os esforços no sentido sensibilizar e poder proporcionar melhores condições psíquicas aos pacientes. A saúde arruína-se porque o corpo cede perante a pressão interior, ainda que aparentemente as causas possam ser encontradas no exterior. É a incapacidade que o organismo tem para reagir, que leva o corpo a dar uma nota de que algo vai mal, que leva o corpo a “falar”, através da doença.
Mas é justamente ai que reside o problema, mais tarde ou mais cedo quebrarão, todos aqueles que estão mal preparados pelas condições de vida a que foram ou estão sujeitos. Todos os que estão agarrados a predicados errados serão confrontados com as decisões que tomaram. Se o equilíbrio e a saúde advém de uma série de factores que tem que ver com estima, com segurança interior, com dinâmica interna, com capacidade de expressão emocional, que sentido faz continuar a gastar dinheiro em cosméticos arranjos exteriores, quando o que existe "dentro" de cada um é que necessita de ajustamento? Uma das questões tem que ver justamente com a gestão dos tempos, com o equílibrio entre o descanso físico, o tempo pessoal, o tempo relacional e o tempo laboral. Se as oportunidades para avançar em termos de crescimento pessoal são cada vez maiores, o tempo de que dispomos para o fazer parece cada vez mais curto, sobretudo numa sociedade que exige de todos de um modo colectivo, mas que depois esquece o individuo, existem pessoas, mas não existe a pessoa.
Sem desejar instaurar aqui uma atitude dogmática, é minha opinião que o problema psicológico dificilmente tem uma cura no sentido estreito do termo. Mesmo ao nível físico, se sofro um corte na pele, fica lá uma cicatriz, mas não existe o estado zero, não volta tudo ao que era anteriormente. Ao nível psicológico, parece existir isso sim, um reajustamento na capacidade de agir perante a vida, altera-se o viver das circunstãncias daquele que buscou ajuda para o seu sofrimento ou efectuou alguma outra forma de crescimento pessoal. Não se apagam vestígios ou traumas por decreto, não há milagres e é de desconfiar de quem os prometa. A ferida psicológica é como um prego num pedaço de madeira, ao arrancá-lo fica um buraco, também a psique ganha feridas e pode cicatrizar, no entanto, da psique nada desaparece, a não ser é claro por acidente físico que danifique os tecidos ou intervenção cirúrgica. A memória não o permite e se o faz, raramente é de modo permanente. Deste modo, parece claro que todo o circuito ligado à cura psicológica com base na receita médica, se encontra desadequado. O paradigma não será o de curar, mas o de fazer crescer. A profusão de métodos de auto-desenvolvimento também não tem contribuído para a melhora da imagem de credibilidade que as profissões de ajuda parecem necessitar. Métodos esses que na grande maioria dos casos são também meras panaceias, pois que a grande maioria deles exigiria já uma boa dose de equilíbrio mental, para que realmente pudessem aspirar a beneficiar o cliente com todo o seu potencial. Mas pelo menos não se recorre ao uso de drogas, isso já é um dado positivo. Na maoir parte dessas disciplinas o trabalho é efectuado com o próprio corpo, permitindo que haja um maior enraizamento do paciente, consequentemente trazendo-o mais para terra, mais para a autoresponsabilização. Isso já e bom, mas receio que ainda seja incompleto. Todavia esse será objecto de análise mais aprofundado em artigos posteriores.
4 Comments:
This Month at the Arlington Public Library
A variety of free, educational activities occur at the Arlington Public Library every month.
I have a ##tour-pak lid organizer## site/blog. It pretty much covers ##Harley Davidson Touring Motorcycles## related stuff.
Greetings. You've really hit the nail on the head with this blog...
If you guys get a moment then please check out my Animal Bead site by visiting Animal Bead.
All the best!
Woman gives birth, didn't know she was pregnant
From ABC7 News in Long Beach comes the story of an unsuspecting woman who thought she had stomach cramps but turned out to be in labor.
Free your mind and the rest will follow. Hiphop Now is more then just hiphop dvd hip hop rap and trendy fashion. It's dvd hip hop rap sharing and networking.
Traumas...
Por que chamar de "traumas" o que na verdade não passam de pendências ?
Por que comparar a cicatrizes o que na verdade são equiparáveis a "expansões da mente" ?
É tudo uma mera questão de mudarmos o ponto de vista.
Veja esta frase:
"A mente humana, uma vez ampliada por uma nova idéia, nunca mais volta ao seu tamanho original" (Oliver Wendell Holmes)
Não sei, para mim, traumas são pendências. Eu acredito que seja necessário apenas desbravarmos esta vida, que qualquer caminho é válido, mas a respeito das cicatrizes, elas são muito valiosas, elas têm algo que ver com a frase aí citada. Na minha opinião.
Continue a escrever!
Um abraço
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